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BCE reavaliará política monetária em dezembro

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Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, referiu em conferência de imprensa esta quinta-feira, em Malta, que a descida da inflação na zona euro exige uma reanálise do quadro de política monetária na reunião de 3 de dezembro

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) não mexeu no quadro de política de “alívio” monetário na reunião de outubro realizada em Malta, mas procederá a uma reanálise na reunião de 3 de dezembro, tendo em conta os dados que entretanto forem surgindo e as novas projeções macroeconómicas que então serão apresentadas pela equipa técnica.

O presidente do banco, Mario Draghi, referiu expressamente essa decisão na conferência de imprensa desta quinta-feira na sequência da reunião do conselho do BCE que decorreu em 21 e 22 de outubro. A necessidade dessa “reanálise” do “alívio” deriva de um atraso na evolução da inflação da zona euro para uma trajetória em direção a um nível abaixo mas próximo de 2% no médio prazo, apesar da procura doméstica na zona euro se revelar "resiliente". Recorde-se que a inflação na zona euro recaiu em terreno negativo em setembro.

BCE não está em “esperar para ver”

Draghi sublinhou que a postura da sua equipa mudou para “trabalhar e avaliar” e que o BCE não está numa posição de “esperar para ver”.

Confirmou que, nesta reunião em Malta, os banqueiros centrais discutiram todos os instrumentos monetários disponíveis, incluindo um corte na taxa de remuneração dos depósitos dos bancos da zona euro nos cofres do BCE que já está em terreno negativo, com uma taxa de -0,2%. “A possibilidade de um corte foi discutida desta vez”, ou seja a opção por uma taxa negativa ainda mais elevada para desencorajar o parqueamento de depósitos. "Qualquer instrumento pode ser usado. A discussão foi ampla. Não foi discutido preferencialmente nenhum instrumento", referiu.

“Pedimos a várias comissões relevantes para trabalharem em diferentes medidas de política monetária monitorizando os prós e contras de diferentes instrumentos”, disse o italiano que lidera o banco central.

Sobre as opções por taxas diretoras negativas, Draghi referiu: "Assistimos à experiência de outros bancos centrais e, agora, estamos a pensar sobre isso". O presidente do BCE referia-se a dois casos. Por um lado, à decisão do Riksbank, o banco central da Suécia, em fixar, desde julho, uma taxa diretora negativa de -0,35%. O banco sueco revisitará a opção a 27 de outubro, na próxima semana. Por outro, às opções do Banco Nacional da Suíça (BNS), o banco central helvético, em fixar, desde janeiro, a taxa diretora num intervalo entre -1,25% a -0,25% e a taxa de remuneração dos depósitos dos bancos nos cofres do BNS em -0,75% (no caso do BCE está em -0,2%).

Os riscos que atrapalham a inflação da zona euro e a fraca retoma económica situam-se, agora, nas economias emergentes, e em particular na evolução da China (referida explicitamente várias vezes), e no andamento dos mercados financeiros e de matérias-primas. Mas sublinhou que a confiança global não foi afetada.

  • Como era esperado, o Banco Central Europeu decidiu manter o quadro de política monetária com taxas de juro em mínimos. A atenção vira-se, agora, para a conferência de imprensa que o seu presidente, Mario Draghi, dará em Malta