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Ministério Público investiga falhanço da OPA da Sonae à PT e ouve Paulo Azevedo

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Rui Duarte Silva

As investigações do Ministério Público no âmbito da Operação Marquês alargaram-se à oferta pública de aquisição (OPA) Sonae sobre a PT, uma operação que decorreu entre 2006 e 2007. Paulo e Belmiro de Azevedo já foram chamados como testemunhas

A notícia, avançada pelo Diário de Notícias (DN), sublinha que depois do grupo Lena e de Vale de Lobo, a investigação da Operação Marquês, no âmbito da qual o ex-primeiro-ministro, José Sócrates, esteve detido, o Ministério Público encontrou um novo novelo para desfiar: a OPA lancada pela Sonae sobre a PT, em fevereiro de 2006.

Paulo Azevedo, o filho de Belmiro e presidente da Sonae SGPS, foi chamado como testemunha e foi ouvido a 22 de setembro. Belmiro de Azevedo alegou motivos pessoais para não comparecer, conta o DN. A OPA da Sonae sobre a PT acabou por ser chumbada em março de 2007, com a Caixa Geral de Depósitos a abster-se na assembleia geral que ditou o fim da oferta.

A necessidade de investigar a OPA surgiu durante o mês de setembro, relata o DN, depois da detenção de Armando Vara, que em 2006, na altura em que foi lançada a oferta da Sonae era vice-presidente do banco público. Segundo o inspetor tributário Paulo Silva, braço direito do procurador Rosário Teixeira, a posição da Caixa foi determinante para o insucesso da OPA. E, agora, a Justiça que perceber como foram criadas as condições para o desfecho da oferta e apurar o que isso tem a ver com o perídodo e os intervenientes em causa: Armando Vara, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, na altura presidente e vice-presidente da PT, respetivamente.

Sócrates muda de posição

Belmiro e Paulo de Azevedo que em fevereiro de 2006 lançaram a OPA sobre a PT nunca esconderam, e chegaram mesmo a dizê-lo em público, que jamais teriam avançado com a oferta se não tivessem tido a garantia do governo e de José Sócrates de que o Estado não ira opôr-se, até porque o executivo estava interessado no aumento da concorrência em Portugal, nomeadamente no sector das telecomunicações.Mas a posição do governo foi evoluindo ao longo da oferta, que durou mais de um ano. E a meio do processo começou a ser claro que afinal o governo já não estava neutro e que OPA se tinha tornado do desagrado de José Sócrates.

Paulo Azevedo, segundo noticiou o DN, contou ao Ministério Público episódios sobre a preparação da OPA até à Assembleia Geral, falou da reunião com José Sócrates em dezembro de 2005 - quando foi comunicado ao primeiro-ministro o interesse em avançar com a OPA -; e dos contactos que manteve como o grupo Espírito Santo, a CGD; e dos investimentos da PT na Ongoing.

Foi na altura da OPA da Sonae sobre a PT que se estreitaram os laços entre José Sócrates e Ricardo Salgado. O BES, a CGD e o BCP foram financiadores de vários intervenientes que tiveram uma posição ativa na oposição à OPA da Sonae, nomeadamente a Ongoing, Joe Berardo e Joaquim Oliveira.