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Ferraris a 46 euros

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EDUARDO MUNOZ / Reuters

A icónica marca italiana estreia-se esta quarta feira em Wall Street. A forte procura dos títulos levou o preço de cada ação para o limite superior definido pela dona da Ferrari, a Fiat Chrysler Automobiles

A construtora de carros desportivos Ferrari vai estrear-se esta quarta feira na Bolsa de Nova Iorque a um preço de 52 dólares (45,7 euros) por ação. A Ferrrari conta vender 17,2 milhões de ações, perto de 10% do seu capital, encaixando perto de 1000 milhões de dólares (880 milhões de euros).

O preço da oferta pública adota o valor máximo do intervalo (48/52 dólares) definido pela dona da Ferrari, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA). A forte procura dos títulos levou o preço para o limite superior.

Os primeiros títulos da Ferrari começam a ser negociados logo depois da abertura da Bolsa, com o símbolo “Race” (raça). Wall Street vai vestir-se de vermelho para a sessão desta quarta-feira, adotando a cor emblemática dos carros italianos.

Depois de concluída esta operação, a FCA ficará com 80% do capital da Ferrari - os restantes 10% são detidos pelo filho de Enzo Ferrari, que fundou a marca em 1947. A FCA pretende utilizar a receita da operação para financiar o seu ambicioso plano de desenvolvimento para os próximos cinco anos, que prevê a venda de sete mil carros por ano.

Liquidez reduzida

Após décadas a acelerar nas pistas, a Ferrari colocou este mês em marcha a entrada no mercado de capitais. A oferta do fabricante italiano seduziu investidores e suscitou uma procura que, segundo a Bloomberg no início da semana era 10 vezes superior as ações disponíveis,

O escândalo Volkswagen não parece afetar a operação da Ferrari. A empresa quer ser avaliada como uma marca de luxo e, por isso, arriscou um preço que, face as indicadores financeiros, é superior à média do sector automóvel. A Ferrari entra em bolsa a valer mais de 30 vezes o lucro que obteve em 2015.

Uma das preocupações dos analistas reside no facto da Ferrari produzir um número limitado de automóveis e para preservar o seu estatuto terá de limitar o crescimento das vendas. Outra das fragilidades apontadas é a reduzida liquidez do título dada a concentração das ações o que poderá o título volátil e condicionar a cotação.