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Juros da dívida descem. Prémio de risco inferior a nível antes de eleições

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A semana iniciou-se com os juros das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência em trajetória de descida. Prémio de risco desce para valor abaixo do nível anterior às eleições

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, fecharam no mercado secundário esta segunda-feira a descer seis pontos base em relação ao final da semana passada. Registam 2,38%, um nível apenas quatro pontos base (equivalente a quatro centésimas) acima do verificado no fecho de 2 de outubro, antes das eleições legislativas em Portugal realizadas a 4 de outubro.

Em termos de prémio de risco da dívida obrigacionista portuguesa, o diferencial em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos desceu esta segunda-feira para 182 pontos base (o equivalente a um prémio de 1,82 pontos percentuais), um ponto base abaixo do registado a 2 de outubro, antes das eleições.

No final da semana passada, as yields das OT a 10 anos estavam 10 pontos base (o equivalente a 1 décima) acima do fecho a 2 de outubro, antes das eleições. Essa subida encurtou-se entretanto.

A evolução imediata poterior às eleições de domingo 4 de outubro foi a seguinte: descida de três pontos base no dia 5; subida de oito pontos base no dia 6; descida de 2 pontos base no dia 7; subida de 1 ponto base dia 8; e, finalmente, subida de 4 pontos base no dia 9.

Recorde-se que as mais importantes subidas diárias das yields das OT a 10 anos verificaram-se, este ano, a 5 de maio com um disparo de 30 pontos base e a 29 de junho com outro disparo de 38 pontos base. Estes disparos prenderam-se com o contágio da crise da dívida helénica, nomeadamente com a evolução da possibilidade de uma saída (mesmo que temporária) da Grécia do euro (Grexit) e com o disparo do risco de bancarrota em relação aos credores oficiais. O contágio helénico levaria a uma subida das yields das OT a 10 anos para 3,27% a 15 de junho e 3,16% a 29 de junho e 6 de julho. O mínimo histórico de 1,55% (em valores de fecho diário) foi registado a 13 e 16 de março.

Esta segunda-feira o movimento de descida das yields da dívida obrigacionista no prazo de referência foi extensivo a Grécia (cujas yields desceram 15 pontos base, fechando em 7,71%), Espanha e Itália.

O prémio de risco desceu, também, para a dívida espanhola e italiana. A diferença entre o prémio de risco da dívida portuguesa e das dívidas espanhola e italiana é ainda expressiva: 1,82 pontos percentuais para Portugal; 1,2 pontos percentuais para Espanha; e 1,04 pontos percentuais para Itália. O periférico da zona euro com o prémio de dívida mais baixo é a Irlanda, com 0,61 pontos percentuais, e o com o prémio mais alto continua a ser a Grécia (um diferencial de 7,1 pontos percentuais).

À espera de três datas

Os mercados financeiros continuam na expetativa de três datas chave: 22 de outubro, já na próxima quinta-feira em Malta, com a realização de mais uma reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE); 26 a 29 de outubro, com a realização em Pequim do 18º Comité Central do Partido Comunista da China que deverá aprovar o 13º Plano quinquenal; e 27 e 28 de outubro com a realização em Washington da reunião de política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed).

Os analistas e investidores procurarão ler os “sinais” das reuniões dos dois mais importantes bancos centrais e aguardam a meta política para o crescimento da China nos próximos cinco anos.

Face ao BCE, a expetativa centra-se em saber se a equipa de Mario Draghi irá efetivamente ampliar o atual programa de compra de dívida soberana dos membros da zona euro no mercado secundário iniciado em março passado e com data previsível de encerramento para setembro de 2016. Outro ponto importante respeita a saber quando o BCE poderá decidir integrar a dívida obrigacionista grega no âmbito do programa de compras.

A gestão comunicacional da posssibilidade do BCE ampliar - e há várias modalidades para o fazer - o programa de compras continuará a exercer uma pressão em baixa nas yields da dívida soberana dos membros do euro, contrariando eventuais efeitos de incerteza política na Grécia (com um primeiro exame do terceiro plano de resgate a iniciar-se), Portugal (ainda sem novo governo após as eleições de 4 de outubro) e Espanha (eleições legislativas a 20 de dezembro e continuação do processo soberanista na Catalunha).

Em relação à Fed, amplia-se a divergência entre as probabilidades apontadas pelos futuros das taxas de juro do banco central norte-americano, que adiam o início da subida dessas taxas para 27 de abril do próximo ano (probabilidade de 54%, a primeira data com probabilidade igual ou acima de 50%), e as declarações da presidente Janet Yellen que apontam para uma primeira subida até final do corrente ano (eventualmente a 16 de dezembro, a última reunião de 2015).

O Partido Comunista da China irá definir a sua meta política de crescimento anual médio até 2020. Os analistas e investidores estão na expetativa de saber se as previsões para o próximo plano quinquenal apontam para a continuação da meta de 7% ao ano, ou se, finalmente, cortarão a previsão para valores abaixo. As mais recentes previsões do Fundo Monetário Internacional apontam para um crescimento de 6,8% em 2015 e de 6,3% em 2016, abandonando o limiar dos 7%, registado de 2012 a 2014. A expetativa adensou-se esta segunda-feira depois do Instituto Nacional de Estatísticas de Pequim ter divulgado que a taxa de crescimento anual no terceiro trimestre desceu para 6,9%. Crescimentos abaixo de 7% desde 1992 só se registaram no segundo trimestre de 1998 (6,9%) e no primeiro trimestre de 2009 (6,2%).