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Juros da dívida portuguesa sobem. Restantes periféricos registam descidas

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Os juros das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência, a 10 anos, subiram 10 pontos base desde 2 de outubro. Esta semana subiram dois pontos base fechando em 2,44%, tendo atingido 2,5% na quinta-feira. Nos restantes periféricos a trajetória é de descida

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português, no prazo de referência a 10 anos, fecharam esta sexta-feira em 2,44%, tendo registado 2,5% na quinta-feira. Desde o fecho a 2 de outubro, antes das eleições legislativas de 4 de outubro, as yields naquele prazo já subiram 10 pontos base. Desde o fecho a 9 de outubro, a subida foi de dois pontos base. Desde o final de setembro, a subida é de cinco pontos base.

A subida registada desde os resultados das eleições legislativas em Portugal, que conduziram à perda de maioria absoluta parlamentar pela coligação que suportou o governo incumbente, não projetou as yields das OT para os máximos do ano acima de 3% registados em junho e julho aquando do auge da crise grega. Mas as yields estão, agora, quase 1 ponto percentual acima do mínimo histórico de 1,5% registado em março logo a seguir ao início do programa de compra de dívida pública dos membros do euro no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE). Até à data, a Grécia está excluída deste programa.

Nos restantes periféricos, a trajetória da semana no prazo de referência foi de descida, nomeadamente para as yields das obrigações italianas, que desceram 9 pontos base, e para as relativas às obrigações espanholas, que recuaram 8 pontos base. As yields das obrigações irlandesas desceram quatro pontos base e as relativas às obrigações gregas recuaram seis pontos base. Comparando com 2 de outubro, apenas no caso das yields das obrigações irlandesas não se registou trajetória de descida. No caso das obrigações gregas no prazo a 10 anos, as yields desceram para 7,86% a 16 de outubro, depois de um pico de mais de 19% a 8 de julho.

Foi uma semana carregada de emissões de dívida soberana na zona euro, com os Tesouros de Espanha, Itália, França e Alemanha a colocarem dívida obrigacionista pagando taxas médias de remuneração inferiores às registadas na emissão similar anterior. Nos casos das emissões a 3 e a 5 anos de obrigações francesas e alemãs, os Tesouros pagaram taxas negativas, significando o apetite dos investidores por estes títulos, em que se dispõem a pagar aos estados emissores para deter estas obrigações em carteira. No caso da emissão de mais de 2,4 mil milhões de euros pelo Tesouro alemão em dívida a 5 anos, a taxa média desceu de 0,12% na emissão anterior para -0,03%, ou seja passou para terreno negativo.

Portugal também foi ao mercado obrigacionista colocando 1,3 mil milhões de euros em dívida a 10 e 22 anos. Na dívida a 10 anos, pagou uma taxa média de remuneração de quase 2,4% superior a 2,04% registada na emissão similar anterior em fevereiro. O Tesouro espanhol, na emissão no mesmo prazo, pagou uma taxa média de 1,767%, menos do que 1,837% registada na emissão similar anterior.

Reunião do BCE a 22 de outubro

A próxima semana será marcada pela reunião do BCE na quinta-feira. A equipa de Mario Draghi reúne pela primeira vez depois de ser conhecida a estimativa do valor da inflação de setembro para a zona euro em que se registou um regresso a terreno negativo (-0,1%), sucedendo a uma inflação de 0,1% em agosto, e após a assembleia anual do Fundo Monetário Internacional ter introduzido um sentimento "excessivamente pessimista" sobre a evolução da economia mundial segundo as conclusões de uma conferência organizada em Nova Iorque pelo McGraw Hill Financial Global Institute.

Os analistas continuam na expetativa de que Draghi dê algum sinal de que o BCE poderá optar por ampliar o atual programa de compras de dívida pública. Até 9 de outubro, o BCE já comprou no mercado secundário da dívida obrigacionista cerca de 359 mil milhões de euros em títulos. Este programa iniciado em março provocou uma descida para mínimos históricos nas yields da dívida obrigacionista nos membros da zona euro, com exceção da Grécia que não está ainda incluída. Funcionou como amortecedor do contágio grego aquando do auge da crise politica no verão e será testado, de novo, no caso da incereteza política se agravar em Portugal e Espanha.

No plano político dos periféricos do euro, os investidores seguem o andamento na Grécia da implementação do primeiro pacote de quase meia centena de medidas do resgate exigidas pelo Eurogrupo e aprovadas pelo Parlamento helénico esta madrugada (por 154 votos a favor das bancadas que suportam a coligação governamental), a formação de um governo em Portugal, e a trajetória política em Espanha para as eleições legislativas a 20 de dezembro.

Os credores oficiais da Grécia regressam a Atenas na próxima terça-feira para iniciarem o primeiro exame ao terceiro resgate.

Na semana seguinte, a 28 de outubro, reúne-se o comité de política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed). Os principais banqueiros centrais norte-americanos continuam a apontar uma primeira subida da taxa de juros até final do ano. O atual intervalo de 0 a 0,25% foi fixado em dezembro de 2008. Em termos efetivos, os júris desceram para 0,09% em novembro de 2014 e subiram para 0,14% em agosto e setembro de 2015. As previsões com base nos futuros das taxas de juro da Fed apontam para probabilidades acima de 50% de início da subida dos juros apenas nas reuniões de 16 de março ou 27 de abril de 2016, segundo o Observatório da CME. Em setembro, a produção industrial norte-americana (que representa 20% do PIB) caiu pela quarta vez em cinco meses, uma queda de 0,2%, superior à quebra de 0,1% em agosto.