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Pires de Lima. Há cerca de 117 mil carros em Portugal afetados pela fraude da Volkswagen

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AXEL SCHMIDT/ REUTERS

O ministro da Economia disse esta quarta-feira que até ao final de novembro a Volkswagen vai apresentar “um calendário mais preciso e detalhado” para a correção dos veículos e que os problemas deverão ser solucionados ao longo do próximo ano

O ministro da Economia anunciou esta quinta-feira que existem cerca de 117 mil veículos em Portugal afetados pela fraude cometida pelo grupo Volkswagen a precisarem de ser corrigidos, e cujos problemas deverão ser solucionados ao longo do próximo ano.

De acordo com a informação divulgada aos jornalistas pelo ministro da Economia, Pires de Lima, no final de uma reunião do grupo de trabalho criado pelo Governo para assegurar a monitorização das ações decorrentes da fraude da Volkswagen, existem em Portugal 102.140 veículos das marcas Volkswagen, Audi e Skoda, "usando o kit fraudulento que distorce a emissão de gases" poluentes, mais cerca de 15 mil veículos da marca Seat.

"No total, são cerca de 117 mil veículos com motores que precisam de ser corrigidos, ao nível do 'software' e dos componentes dos motores", disse Pires de Lima.

Segundo o ministro, a Volkswagen comprometeu-se esta quinta-feira a apresentar até ao final de novembro "um calendário mais preciso e detalhado" para a correção dos veículos, ficando todos os custos inerentes a este processo à responsabilidade do grupo automóvel.

O governante defendeu que a Volkswagen deve ainda assumir todas as eventuais responsabilidades ambientais e fiscais que possam decorrer deste processo.

"A fraude tem custos técnicos, mas também pode ter custos fiscais", disse o ministro referindo-se às emissões de dióxido de carbono pelos motores em causa.

O grupo de trabalho criado pelo Governo para assegurar a monitorização das ações decorrentes da fraude da Volkswagen, que se reuniu novamente esta quinta-feira no Ministério da Economia, tem de apresentar um relatório até 2 de novembro.

O ministro da Economia, Pires de Lima, que presidiu à reunião, deixou na passada terça-feira uma mensagem de confiança no investimento que foi assinado há pouco mais de um ano com o Estado português e que está em execução na Autoeuropa: "não temos nenhum sinal da Volkswagen que possa por em causa o plano de execução que foi aprovado pelo Estado".

O grupo de trabalho, criado pelo Governo português a 30 de setembro, é composto pelos secretários de Estado da Inovação, Pedro Gonçalves, dos Transportes, Sérgio Monteiro, e do Ambiente, Paulo Lemos e nele incluem-se também técnicos do Instituto da Mobilidade e Transporte e da Agência do Ambiente.

Este grupo de trabalho, segundo o despacho do executivo publicado em Diário da República, tem o "objetivo de monitorizar e avaliar as linhas de atuação face aos impactos da crise da Volkswagen, assegurando o respeito pelo ambiente, a fiscalidade, os direitos dos consumidores e a proteção e salvaguarda dos interesses do Estado Português".

O grupo Volkswagen detém em Portugal a fábrica da Autoeuropa, onde são produzidos os modelos Volkswagen Eos, Scirocco, Sharan e Seat Alhambra.

A 18 de setembro foram conhecidos publicamente os resultados de testes a emissões poluentes de viaturas equipadas com motores 'diesel' do grupo Volkswagen, relativamente às marcas Volkswagen, Audi, Seat e Sköda, concluindo-se pela existência de viaturas equipadas com um dispositivo que permite a manipulação de informação relativa a emissões poluentes.

O grupo alemão admitiu a existência de 11 milhões de carros nestas circunstâncias, e em Portugal, de acordo com informação divulgada pela SIVA, representante das marcas Volkswagen, Audi e Sköda, estima-se que existam cerca de 94 mil viaturas afetadas, mais 23 mil da marca Seat, totalizando 117 mil veículos.

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