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Ninguém esclarece o futuro da Autoeuropa

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Tiago Miranda

Grupo de trabalho criado pelo ministro Pires de Lima para avaliar o impacto da crise da Volkswagen em Portugal realiza esta quinta-feira a sua segunda reunião. Sobre a situação da fábrica de Palmela ninguém sabe nada

O grupo de trabalho criado pelo ministro da Economia para avaliar o impacto do escândalo Volkswagen (VW) em Portugal, realiza esta quinta-feira a sua segunda reunião - a primeira ocorreu a 2 de outubro. Mas até à data ainda são desconhecidas informações explícitas transmitidas pela administração da Volkswagen ao Governo português sobre decisões aplicáveis ao mercado nacional. A questão do investimento na Autoeuropa - que tem obras em curso - também ainda não foi esclarecida pelo Grupo VW.

Para já, o despacho governamental que define a atuação do grupo de trabalho português - publicado em "Diário da República" a 13 de outubro - refere que o relatório final terá de ser apresentado no prazo de 30 dias a contar da criação do grupo, o que faz com que a data de apresentação do documento seja no princípio do próximo mês, isto é, no fim das próximas duas semanas.

Apesar do ministro Pires de Lima acreditar que o investimento da Autoeuropa continuará a ser desenvolvido, o Grupo VW nunca se pronunciou formalmente sobre os projetos que quer concretizar na fábrica de Palmela, que continua a aguardar o anúncio formal do próximo modelo que espera produzir para substituir o descontinuado descapotável Eos.

Além da questão sobre o futuro de um investimento de aproximadamente 700 milhões de euros que previa a contratação de mais 500 trabalhadores para a fábrica de Palmela - contratualizado com Portugal, aprovado pela AICEP e anunciado com a máxima formalidade no decurso de uma visita oficial do Presidente alemão Joachim Gauck, acompanhada por Cavaco Silva - o grupo de trabalho deverá centrar a sua reunião desta tarde nos impactos económicos globais da crise da VW.

As questões relacionadas com problemas ambientais, com o enquadramento fiscal nacional e com a defesa dos direitos dos consumidores proprietários dos 117 mil automóveis manipulados que foram matriculados em Portugal, serão debatidas na reunião desta quinta-feira.

A nível ibérico, o Grupo VW tem mantido posições muito diferentes. Enquanto respondeu rapidamente a todas as questões colocadas formalmente pelo Governo espanhol - que chegou a dizer ao Grupo VW que iria pedir a devolução de todos os apoios concedidos à produção de veículos Seat nas fábricas existentes em Espanha - em relação a Portugal ainda não explicou o que pretende fazer.

Em Espanha, o Grupo VW explicou muito depressa, e formalmente, que pretende manter um investimento de cerca de 4000 milhões de euros. Mas em Portugal ninguém conhece as intenções do grupo alemão para a Autoeuropa.

A única informação oficial do Grupo VW é o anúncio do corte de todos os investimentos não essenciais e o cancelamento de novos projetos - incluindo o corte dos patrocínios a clubes de futebol - para dispor de recursos que lhe permitam enfrentar os encargos com o escândalo "dieselgate". Neste sentido, o Grupo VW voltou a esclarecer esta semana que vai cortar os seus investimentos anuais em 1000 milhões de euros.

No grupo de trabalho - que foi formalmente criado pelo Governo a 30 de setembro - participam os secretários de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, da Inovação, Pedro Gonçalves, e do Ambiente, Paulo Lemos. Além da equipa governamental, integram este grupo os técnicos da Agência do Ambiente e os especialistas do IMT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes.