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Católica revê crescimento em baixa para 1,9% em 2015

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Estas previsões da Universidade católica continuam a ser mais otimistas do que as do Governo para este ano, uma vez que o executivo espera um crescimento de 1,6%

A Universidade Católica reviu hoje em baixa as previsões de crescimento da economia portuguesa tanto para 2015 como para 2016, esperando crescimentos homólogos de 1,9% e 1,8%, respetivamente.

O Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, previa anteriormente que o Produto Interno Bruto (PIB) crescesse 2,1% este ano, face a 2014, e 2,1% em 2016, em relação a 2015.

As previsões hoje divulgadas apontam para uma revisão em baixa de duas décimas tanto este ano como para o próximo, antecipando agora os economistas do NECEP um crescimento de 1,9% em 2015 e de 2% em 2016.

Estas previsões do NECEP continuam a ser mais otimistas do que as do Governo para este ano, uma vez que o executivo espera um crescimento de 1,6% em 2015. Para o próximo ano, o NECEP está agora mais pessimista do que o Governo, já que o executivo antecipa um crescimento de 2% em 2016.

Na sua apresentação, o coordenador do NECEP, João Borges de Assunção, alertou para a “invulgar profundidade desta recessão” face às anteriores e disse que “há ainda um longo caminho a percorrer”, tendo em conta “a queda de 8,1% verificada desde 2010”.

Na folha trimestral de conjuntura, hoje divulgada numa conferência que decorreu na Universidade Católica de Lisboa para assinalar o décimo aniversário do NECEP, este núcleo de estudos escreve que o desempenho da economia portuguesa ao longo de 2015 “tem sido marcado, por um lado, por sinais de passividade orçamental e, por outro lado, por um crescimento abaixo do que seria de esperar”, considerando “fatores benéficos” como o baixo preço do petróleo e a desvalorização do euro face ao dólar.

Para o NECEP, “continua a merecer reflexão o diferencial entre o crescimento do PIB e do consumo privado”, que “sugerem a recuperação da economia”, embora “o sinal mais forte” seja do lado do consumo.

Na apresentação da folha trimestral de conjuntura, João Borges de Assunção, afirmou que os principais riscos que se colocam à economia portuguesa são o investimento e as restrições orçamentais

“Perdemos cerca de 33% do investimento desde 2010 e recuperámos apenas 10% desde 2013, o que quer dizer que todas as atividades produtivas que dependem do investimento continuam ainda sob pressão, o que é um problema”, afirmou João Borges de Assunção.

Para 2016, a previsão de crescimento foi também revista em baixa para os 1,8%, “em parte por via das necessidades de ajustamento orçamental que se anteveem para o próximo ano, em parte porque o consumo privado, que corresponde a dois terços do PIB, poderá desacelerar a sua trajetória recente de crescimento elevado tendo em conta o seu desalinhamento com o crescimento do produto ao longo do corrente ano”.

Na folha de conjuntura hoje apresentada, o NECEP considera que, “atualmente, a economia portuguesa está a atravessar um período de crescimento tendencial que poderá estar a aproximar-se da sua média histórica, mesmo tendo em conta os desenvolvimentos demográficos desfavoráveis”.

Desvalorizando a existência de “alguma incerteza política” desde as eleições legislativas de 04 de outubro, o NECEP destaca os fatores externos como a política monetária dos Estados Unidos e o crescimento da China, antevendo, no entanto, que estes riscos possam ter “um impacto relativamente pequeno e apenas indireto na economia portuguesa, pelo menos num horizonte de 18 meses”.

Entre os aspetos que podem influenciar positivamente a evolução económica, o NECEP sublinha a desvalorização do euro face ao dólar, a “forte dinâmica da economia espanhola” e “os sinais mais claros oriundos do investimento”.

Para 2016, João Borges de Assunção destacou como riscos o abrandamento económico da China, o crescimento da zona euro, a política monetária da Reserva Federal (Fed) norte-americana e do Banco Central Europeu (BCE), a evolução das taxas de juro em Portugal, o ajustamento orçamental no próximo ano e o risco político.