Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsa fecha positiva em dia de quedas no exterior

  • 333

A Bolsa portuguesa fechou em leve alta, contrariando as quedas das pares europeias. Os juros da dívida soberana a 10 anos subiram num dia de leilão de Obrigações do Tesouro bem sucedido. Mantém-se a incerteza política mas os investidores estão agora mais tranquilos de que Portugal vai manter compromissos internacionais, dizem analistas.

Mantém-se a incerteza política mas os investidores estão agora mais tranquilos em relação à situação em Portugal, o que levou a Bolsa portuguesa a fechar ligeiramente positiva.

O PSI-20 fechou a subir 0,22% para 5.2857,74 pontos. Entre as subidas, destaque para o ganho de 15% da Pharol e da subida do sector financeiro. O BCP ganhou 1,1% para 5,52 cêntimos e o BPI valorizou 2,57% para 1,079 euros. Nas quedas, a Galp recuou 1,4%, em linha com o sector no exterior.

"Apesar dos receios de incerteza política, os investidores receberam com ânimo os dados do leilão de Obrigações do Tesouro, de hoje, com maturidades de longo prazo. Apesar da taxa fixada ser superior à operação anterior com a mesma maturidade, a yield foi inferior àquela que se observa no mercado secundário", diz Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal.

"A incerteza causada pela actual crise política está a ser compensada pela convicção de que o BCE aumentará os estímulos monetários beneficiando, por isso, as economias do sul", diz numa análise.

António Costa, líder do Partido Socialista, deu entrevistas a agências e media internacionais, assegurando que Portugal vai manter os compromissos internacionais.

A coligação de centro-direita venceu as eleições de 5 de outubro mas sem maioria e precisa do apoio do PS. Mas este tem-se desdobrado em conversações com partidos mais à esquerda para tentar formar um Governo.

A Bolsa portuguesa caiu mais de 4% nas duas sessões anteriores, superando a descida das pares europeias, perante a possibilidade de vir a haver um Governo de esquerda em Portugal que implementasse políticas menos amigas das empresas, incluindo do sector financeiro, que foi o mais penalizado. Os investidores aproveitaram também para realizar mais-valias, depois dos ganhos das últimas semanas.

Já os juros da dívida soberana a 10 anos, apesar de registarem uma subida após as eleições legislativas, não tiveram uma reação tão abrupta, já que os investidores não acreditam que haja risco em torno da dívida soberana, independentemente do Governo que vir a tomar posse. O mercado de dívida também tem apoio nas compras do Banco Central Europeu, o que não acontece nas ações.

Hoje, os juros da dívida a 10 anos subiram três pontos base para 2,45%, segundo dados da Reuters.

Portugal colocou 950 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a 10 anos e 350 milhões de euros a 22 anos. A taxa da emissão a 10 anos subiu para 2,3975% e a de 22 anos desceu para 3,2336%.

Europa cai

As praças europeias fecharam em queda, com o índice que reúne as 300 principais empresas europeias, o FTSEurofirst 300, a cair 0,67%.

Ainda se mantêm os receios em torno do crescimento da segunda maior economia do mundo, à medida que novos dados macroeconómicos apontam para um abrandamento do crescimento económico na China.

"Depois de uma balança comercial a denunciar uma quebra acentuada nas importações, com implicações para o sector primário e secundário ocidental, um cenário de deflação acentua os receios de forte abrandamento da segunda maior economia mundial, com naturais reflexos nas quedas dos preços de acções e matérias-primas. Todas as praças europeias negoceiam no vermelho, à excepção do PSI20", afirma Pedro Ricardo Santos.

Nos Estados Unidos, Wall Street seguia no 'vermelho'. Os investidores estão a digerir resultados mistos de grandes bancos. E previsões fracas da retalhista Wal-Mart retiraram 20 mil milhões de dólares ao valor da empresa em Bolsa, segundo dados da Reuters.