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Bolsa fecha a perder 1,4% com desconfiança dos investidores

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A Bolsa portuguesa fechou a perder 1,38%, caindo pelo segundo dia consecutivo em reação à possibilidade de Portugal vir a ter um Governo de esquerda. Em dois dias a Bolsa perdeu 4,4%. O BCP está entre os mais penalizados: 13,2% em duas sessões. Mas os juros da dívida soberana recuaram.

As ações portuguesas voltaram a sofrer hoje com a possibilidade de o país vir a ter um Governo de esquerda, levando o índice PSI-20 a perder 1,38%.

O BCP foi uma das ações mais penalizadas e caiu 4,21% para 5,46 cêntimos. Os CTT desceram 2,39% para 9,80 euros e a Jerónimo Martins perdeu 1,76% para 12,025 euros.

O sentimento no exterior também foi negativo, com as bolsas europeias a encerrar em queda depois de serem conhecidos dados negativos sobre o andamento da economia na China. Depois das subidas, sobretudo na semana passada, os investidores aproveitaram para realizar lucros, tal como em Lisboa.

"Reflete a desconfiança dos investidores na credibilidade de um governo com apoio da esquerda radical", diz Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal numa análise. "Se há coisa que os mercados não gostam é de incerteza política numa economia. Um cenário de acordo com partidos que têm na sua génese um ADN revolucionário gera receios de instabilidade política, com naturais reflexos na economia", afirma.

Os juros da dívida soberana portuguesa a 10 anos recuaram 2 pontos base no mercado secundário para 2,42%, segundo dados da Reuters.

Está agendada para esta quarta-feira um leilão de Obrigações do Tesouro, com maturidades de 10 e 22 anos, no valor indicativo entre 1000 e 1250 milhões de euros.

“A expectativa é de que a excitação da última operação, que elevou o bid-cover ratio a 1,89, seja influenciada negativamente pela atual incerteza política”, diz o mesmo analista.

As yields da dívida alemã a 10 anos, que são a referência na zona euro, subiram 1 ponto base para 0,59%. O índice de sentimento ZEW desceu em outubro para 1,9 pontos de 12,1 pontos em setembro, sobretudo devido ao escândalo da Volkswagen.

Hoje à tarde António Costa, líder do Partido Socialista, disse em entrevista à Reuters, que o PS está mais bem posicionado para formar Governo do que a coligação de centro-direita. Tentando acalmar os investidores mais nervosos, reforçou a ideia de que não serão postos em causa os compromissos com a Europa.

Bolsas descem

Depois de terem tido a maior subida semanal em quatro anos, na passada semana, as bolsas estiveram hoje em queda.

A forte queda das importações na China veio reforçar receios de um abrandamento da segunda maior economia do mundo. A perspetiva de menores vendas de empresas ocidentais para o mercado chinês penalizou empresas cotadas de diversos sectores.

O FTSEurofirst 300, que reúne as 300 empresas mais relevantes na Europa, desceu 0,96%.

Esta semana os investidores aguardam por mais indicadores na China que serão determinantes para o fecho da semana nas bolsas.