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Ações descem e juros sobem com medo de um Governo de esquerda

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A Bolsa portuguesa cai e os juros da dívida soberana sobem (apesar de uma queda ligeira esta terça-feira) perante a possibilidade de Portugal vir a ser governado à esquerda. Mas lá fora, o panorama não ajuda, com um reforço dos receios sobre o crescimento económico mundial. Investidores aproveitam para fazer lucros depois das fortes subidas recentes

A Bolsa portuguesa está em queda e os juros da dívida soberana sobem ligeiramente no mercado secundário, perante a perspetiva de vir a tomar posse um Governo de esquerda.

O PSI-20 desliza 2% depois de já ontem ter fechado em queda. As ações dos bancos são as mais penalizadas bem como a Pharol, que foram os títulos que mais subiram nas últimas semanas. O BCP cai 7,8% e o BPI 4% e a Pharol desliza 6%.

Mas a Bolsa nacional também é afetada pela descida das pares europeias, que seguem a tendência já registada na Ásia. Novos dados negativos na China reforçam receios sobre o crescimento da economia a nível. Mundial.

Os investidores aproveitam para vender e realizar lucros depois das subidas fortes registadas recentemente em diversos títulos e praças financeiras.

As bolsas mundiais tiveram na semana passada a maior subida semanal em quatro anos.

"Apesar das medidas fraturantes defendidas pelos partidos mais à esquerda do PS estarem afastadas, a verdade é que a memória das experiências do Syriza na Grécia estão ainda bem frescas", diz Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal. "Qualquer agente de mercados olha para esta questão com muita preocupação", acrescenta.

E enquanto que "no mercado de dívida, o Banco Central Europeu faz compras, o mercado acionista não tem esse apoio", aponta Steven Santos, gestor do BiG. "Esta hipótese de poder vir a haver um Governo de esquerda traz algum pessimismo, depois de um cenário em que o que estava na mesa era a revalidação do mandato do anterior Governo e das suas políticas".

Os juros da dívida portuguesa a 10 anos já subiu 13 pontos base desde as eleições legislativas, lembra o analista da XTB. Desceram esta manhã no mercado secundário para 2,4%, em linha com a tendência geral na zona euro, depois de na segunda-feira terem subido com o resultado da reunião entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda.

"Um Governo minoritário deixa as obrigações soberanas portuguesas em risco e deixa a porta aberta para um recuar nas reformas e nas medidas de austeridade", diz por seu turno David Schnautz, analista do Commerzbank.

Sobre uma eventual subida forte dos juros da dívida soberana portuguesa no mercado secundário, afirma: "Eu não espero que aconteça". "Mas (para os mercados) esta constelação é ainda pior do que um Parlamento em suspenso ou um Governo de minoria de direita".