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Cinto dos angolanos cada vez mais apertado

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Em Luanda, teme-se a rutura de stocks de produtos básicos

João Carlos Santos

Salários em tranches, universidades a perder alunos ou falta de bens são algumas das consequências da crise

Gustavo Costa

Correspondente em Luanda

Depois de se ter gabado no passado de ter sido responsável do pagamento dos salários dos funcionários públicos do Congo Brazzaville, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, Angola, pela primeira vez na sua história, deverá ter de pagar o 13º mês em três tranches. A derrapagem financeira angolana, segundo o Expresso apurou junto do Ministério das Finanças, é de tal forma significativa que o país deixou de ter capacidade para pagar em dezembro um salário suplementar.

O recurso ao pagamento por tranches, em consequência da crise de tesouraria provocada pela acentuada baixa do preço do petróleo, deverá entrar em vigor já a partir de outubro, segundo fonte do Banco Nacional de Angola. “É a única forma que temos para fazer face a encargos salariais anuais na ordem de 1200 mil milhões de dólares”, acrescentou.

A desvalorização galopante do kwanza em relação ao dólar, nestas circunstâncias, está, nas últimas semanas, a asfixiar a vida da maioria da população angolana concentrada sobretudo nos grandes centros urbanos. Habituados durante anos a um nível de vida, que dispensava fazer contas no final do mês, a classe média começa agora a sentir necessidade de apertar o cinto. “Com salários em atraso e a valerem cada vez menos, vamos deixar de ir a restaurantes e, este ano, em minha casa já ninguém sequer pensou em falar de férias em Portugal”, diz Joaquim Faria, funcionário do Ministério da Indústria.

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