Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida. Semana de subidas, com exceção da Grécia

  • 333

Os juros das obrigações a 10 anos dos periféricos do euro subiram excetuando a Grécia que prossegue, com flutuações, uma descida para 7%. Juros das Obrigações do Tesouro português sobem para 2,42%

Jorge Nascimento Rodrigues

Foi uma semana de subida das yields da dívida obrigacionista da zona euro no prazo de referência, a 10 anos, com exceção da Grécia, cuja trajetória de descida se mantém desde os picos de julho, acompanhando a implementação do terceiro programa de resgate e a estabilização governativa após as segundas eleições antecipadas do ano.

As maiores subidas semanais, no prazo a 10 anos, registaram-se nos emissores do centro da zona euro, com as yields das obrigações alemãs e das obrigações francesas a subir nove pontos base em relação ao fecho a 2 de outubro.

Logo a seguir, a subida das yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, registando um aumento de oito pontos base em relação a 2 de outubro, fechando a semana em 2,42%. Durante a semana, a 5 de outubro, chegaram a descer para 2,32%, logo a seguir às eleições legislativas de domingo, que se saldaram por uma maioria de votos na coligação PaF que suportou o governo incumbente, maioria que não se traduziu por uma maioria absoluta de lugares na Assembleia da República. Recorde-se que, durante 2015, até à data, as yields das OT a 10 anos registaram um mínimo histórico perto de 1,5% em meados de março e um máximo de 3,27% em meados de junho. Março foi um mês de mínimos históricos na zona euro, na sequência do lançamento do programa de compras de dívida soberana pelo Banco Central Europeu (BCE).

No entanto, em virtude da subida semanal mais acentuada das yields das obrigações alemãs a 10 anos, que servem de referência para a avaliação do risco na zona euro, o prémio de risco da dívida portuguesa desceu dois pontos base entre 2 e 9 de outubro, situando-se, agora, em 181 pontos base – o equivalente a um diferencial de 1,8 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Refira-se que os prémios de risco para as dívidas dos outros periféricos do euro são os seguintes: 57 pontos base para a Irlanda; 109 para Itália; 122 para Espanha; e 769 para a Grécia.

As yields das obrigações italianas e irlandesas, no prazo de referência, subiram sete pontos base e, no caso das obrigações espanholas, o aumento das yields foi de seis pontos base no período referido.

Sem impactos de resultados eleitorais

A subida semanal das yields no caso das OT a 10 anos está dentro do padrão de subidas nos outros periféricos sem resgates em curso.

O impacto dos resultados das eleições na Catalunha (27 de setembro, com a formação de uma maioria de partidos independentistas no novo Parlamento catalão) e em Portugal (4 de outubro, com a perda de maioria absoluta parlamentar pela coligação que suporta o governo incumbente) não se traduziu, por ora, em disparos nas yields das OT e das obrigações espanholas, que se destaquem do comportamento que está a registar-se nos outros dois periféricos, Itália e Irlanda.

Os próximos marcos políticos na zona euro são a formação de governo em Portugal e a aprovação do orçamento para 2016, o primeiro exame de avaliação do andamento do terceiro resgate à Grécia em novembro e as eleições legislativas em Espanha a 20 de dezembro.

Em termos de variação nas últimas 30 sessões, as yields da dívida obrigacionista a 10 anos reduziram-se em 70 pontos base para a Grécia, 29 pontos base para Espanha, 16 pontos base para Irlanda, 15 pontos base para Itália e 11 pontos base para Portugal. Nos últimos 12 meses, as yields naquele prazo de referência, desceram 62 pontos base para Itália, 53 pontos base para Portugal, 49 pontos base para Irlanda e 25 pontos base para Espanha. No caso da Grécia estão 125 pontos base acima.

A exceção nas subidas semanais foi a Grécia cujo governo de Alexis Tsipras registou uma aprovação de uma moção de confiança na quarta-feira e que se prepara para apresentar e fazer aprovar no Parlamento no final da próxima semana um primeiro pacote de 49 medidas prioritárias exigidas pelo Eurogrupo no âmbito do andamento do terceiro resgate aprovado a 14 de agosto. As yields das obrigações gregas a 10 anos desceram 28 pontos base durante a semana, fechando em 7,92%, depois de terem descido para 7,77% a 7 de outubro. Depois de um pico a 8 de julho subindo para 19,34%, no auge do risco de uma Grexit (saída da Grécia do euro), as yields desceram quase 12 pontos percentuais nos meses seguintes para um patamar abaixo de 8% a 6 de outubro.

Fora da Europa, as yields dos títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos subiram 11 pontos base entre 2 e 9 de outubro, registando, no fecho da semana, 2,10%, um nível próximo dos valores do início de janeiro deste ano. Desde o início do ano, as yields destes títulos já registaram um mínimo de 1,64% a 30 de janeiro e um máximo de 2,5% a 10 de junho.