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Alemanha esconde futuro da Autoeuropa

Na reunião com 20 mil trabalhadores, na sede da empresa, Matthias Müller, presidente 
da VW, prometeu fazer tudo para manter os postos de trabalho

Roland Nipaul/Corbis

Desconhece-se a decisão da Volkswagen sobre investimentos em Palmela. Angela Merkel pede que o escândalo não condene milhares de empregos

Nem uma palavra foi prestada esta semana pelo Grupo Volkswagen (VW) sobre a conclusão do novo investimento na Autoeuropa. O Governo português não sabe nada. E os responsáveis da fábrica de Palmela aguardam decisões da sede, em Wolfsburgo, onde estiveram reunidos, de segunda a sexta-feira, 20 mil representantes dos trabalhadores das 119 fábricas que o grupo alemão tem espalhadas pelo mundo. Todos debateram estratégias para enfrentar o caso ‘dieselgate’. Mas os problemas do Grupo VW continuaram a aumentar.

Entre buscas policiais à sede de Wolfsburgo e declarações políticas da chanceler Angela Merkel, no Parlamento Europeu — a pedir que não diabolizem a indústria automóvel, por estarem em causa milhares de empregos —, a VW desdobrou-se em pedidos públicos de desculpas em vários países. Perante o Congresso dos EUA, Michael Horn, presidente da VW para a América do Norte, apresentou “sinceras desculpas”. No que diz respeito a Portugal, a administração da Autoeuropa “não comenta” o assunto.

As ações da VW já perderam 40% do valor bolsista, mas os custos globais causados pelo escândalo ‘dieselgate’ continuam incalculáveis. Entre os 6,5 mil milhões de euros postos de parte para acudir aos custos relacionados com a reparação dos veículos envolvidos e a multa imposta pelas autoridades norte-americanas, que pode ascender a €16 mil milhões, a administração do gigante automóvel alemão já anunciou um programa de redução de custos, que pode incluir a reapreciação de vários projetos. Um deles pode ser o investimento de 700 milhões de euros na Autoeuropa, mas oficialmente ninguém confirma essa possibilidade. A Autoeuropa tem um trunfo a seu favor: excluindo a produção do monovolume Touran, ainda é a principal fábrica que constrói monovolumes.

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