Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Mercados desconfiam da receita de crescimento da Altice

  • 333

Rápido crescimento através de aquisições da dona da Portugal Telecom começa a ser questionado por investidores e pela agência de notação Moody's

João Ramos

João Ramos

Jornalista

Os ventos estão a deixar de correr de feição à Altice. A fórmula de rápido crescimento através de aquisições está a ser posta em causa por alguns investidores. O grupo francês liderado por Patrick Drahi teve um percalço na semana passada quando tentou financiar a aquisição do operador de cabo americano Cablevision - quase 16 mil milhões de euros - e os investidores pediram uma taxa de juro de 10%.

Trata-se de um custo de financiamento bem superior ao das aquisições anteriores do grupo, que tiveram uma taxa de juro média de 5,8%. Em causa está o elevado endividamento da Altice, que em ano e meio despendeu em aquisições 50 mil milhões de euros. Uma dessas aquisições foi a Portugal Telecom, por 7 mil milhões de euros.

Um dos reflexos foi a redução do rating da Moody's das participadas francesas SFR e Numericable para B1 e B1 PD, respetivamente. O argumento da agência de notação é que "aumentaram os riscos operacionais e financeiros da rápida expansão do grupo Altice NV".

O Financial Times fez eco deste clima de desconfiança dos mercados, referindo que começa a ser posto em causa o "guião" do grupo de Drahi, que justifica a rápida expansão a nível mundial pela melhoria da posição competitiva das suas participadas face à concorrência. A fórmula desse "guião", que tem sido aplicada nos diversas empresas adquiridas, segundo o jornal britânico, assenta no "corte de custos, mudanças na gestão e economias de escala para aumentar a eficiência". O FT vai mais longe, perguntando por que razão os investidores não questionaram mais cedo estes argumentos do grupo de Drahi.

Além de França e Portugal, a Altice está também presente em Israel, Bélgica, Suíça, Luxemburgo e República Dominicana. Entrou em Portugal em 2012 com a compra da Cabovisão e da Oni.

O grupo surgiu em 2002 e teve um rápido crescimento na área da televisão por cabo. Fez mais de 20 compras desde então, mas as principais foram feitas nos últimos anos: além da compra da PT em dezembro de 2014, comprou a americana Southern Link em maio e agora está a tentar comprar a Cablevision.