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BCP sobe mais de 50% em Bolsa em menos de duas semanas

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O BCP passou a valer mais 50% em Bolsa em menos de duas semanas sem notícias que expliquem a subida. Operações relacionadas com investidores com posições curtas explicam a maior parte da valorização. O desvanecer do fantasma de um aumento de capital, o baixo preço das ações e rumores de consolidação são explicações extra apontadas por analistas para a subida brusca das ações do banco.

As ações do Millennium bcp valorizaram 50% em Bolsa em menos de duas semanas impulsionadas em grande medida por operações relativas a investidores com posições curtas e num período de valorização no sector da banca em toda a Europa.

Mas o índice europeu Stoxx 600 para a banca subiu apenas 8% no mesmo período de tempo em que o BCP valorizou 50% e com volume. A média de ações negociadas pelo BCP desde o final de setembro é de 570 milhões de ações, acima da média de 265 milhões de ações negociadas este ano.

O banco desceu ao mínimo de 4,06 cêntimos a 29 de setembro. No dia seguinte o BPI anunciou um projeto de cisão das operações africanas e disparou em Bolsa, contagiando os restantes bancos cotados, incluindo o BCP. Os que apostavam na queda do BCP em Bolsa apressaram-se a fechar posições e a comprar ações.

"O BCP tem sido influenciado por posições curtas significativas que agora levam a esta subida do título", diz Albino Oliveira, analista da Fincor.

“Se nos primeiros dias de subida houve de facto o efeito do fecho de posições curtas, agora já não é por isso que o banco sobe”, diz um analista do sector. “Penso que se desvaneceu a questão do banco ter de fazer em breve um aumento de capital mas também há expectativas de entrar num processo de consolidação”, aponta o mesmo analista.

As ações do banco sofreram fortes perdas desde o máximo de 2015 registado em março. Em meados de setembro, o Société Générale divulgou uma nota de análise em que antecipava um aumento de capital de 750 milhões de euros do BCP, em 2016. Na nota, o banco cortou a avaliação do BCP de 9,5 cêntimos para 6,8 cêntimos, com recomendação de ‘compra’.

Nuno Amado, presidente-executivo do BCP, tem vindo a público tentar acalmar os investidores frisando que um aumento de capital não está previsto.

“Não se passou nada em termos de notícias em torno do banco que justifique esta subida”, afirma Albino Oliveira. “É uma recuperação muito forte e brusca. As recuperações violentas têm acontecido na Europa em alguns sectores, como o da energia e das matérias-primas”.

Para Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, o sector bancário "vive um grande momentum - expectativa de aumento do programa 'Quantative Easing' do Banco Central Europeu. BCP, Banif e BPI negoceiam com ganhos apreciáveis".

Por outro lado, sempre que as ações do BCP, que valem poucos cêntimos, têm uma oscilação esta acaba por ser mais expressiva, em termos de variação percentual. O banco caiu 60% entre o máximo de 2015 de 9,88 cêntimos registado em março e o mínimo recente.

As ações do banco foram pressionadas pela questão da venda do Novo Banco, que deverá acarretar custos para os restantes bancos portugueses, e também com receios vindos da Polónia, onde tem o Bank Millennium.

A alienação do Novo Banco falhou e está agora em suspenso. Na Polónia, onde se discute um imposto sobre os bancos e onde o sector pode sofrer perdas com a conversão eventual de créditos hipotecários em francos suíços para a moeda polaca, há eleições legislativas este mês.

O banco tem ainda de devolver ao Estado parte do empréstimo que recebeu, o que tem sido um peso no título em Bolsa e pode ser um travão a um eventual interesse de um comprador.

“A verdade é que o banco, a valer 3,5 mil milhões de euros, tem o potencial de ser altamente opável”, afirma o mesmo analista do sector. “Penso que o banco vale mais do que está atualmente a cotar em Bolsa”.

Na mesa, já esteve, este ano, uma proposta de fusão entre o BCP e o Banco BPI, avançada por Isabel dos Santos, que não teve seguimento.

Hoje, as ações do BCP subiam 5,55% para 6,33 cêntimos (às 14h48). O índice PSI-20 avançava 1,33% para 5.534,10 pontos.