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Volkswagen prepara trabalhadores para cortes no grupo

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Um dos membros do conselho de supervisão do Grupo VW, Bernd Osterloh (ecrã gigante), reuniu-se esta manhã com milhares de trabalhadores em Wolfsburgo

Roland Nipaul / EPA

Reunidos na sede de Wolfsburgo, os representantes dos 600 mil trabalhadores da Volkswagen e a administração preparam a primeira resposta ao escândalo "dieselgate": a revisão dos investimentos não prioritários e o cancelamento de projetos

Os 20 mil trabalhadores do Grupo Volkswagen - entre os quais, o português António Chora, da Autoeuropa -, reunidos com a administração em Wolfsburgo, na sua reunião anual, debateram esta terça-feira as primeiras medidas de cortes e revisão de investimentos que terão de ser tomadas para enfrentar a crise do "dieselgate" - o escândalo da manipulação das emissões poluentes.

"Todos os projetos e investimentos que não tenham lógica económica devem ser revistos", defendeu na reunião Bernd Osterloch, um dos membros do conselho de supervisão da Volkswagen (VW). O presidente-executivo do Grupo VW, Matthias Müller, também admitiu que o seu grupo deverá cancelar "projetos não essenciais".

"Tudo o que não for absolutamente vital será cancelado ou adiado", referiu Matthias Müller em declarações destinadas a serem debatidas na reunião dos 20 mil trabalhadores da VW, esta manhã.

Para resolver o problema dos 11 milhões de veículos diesel que foram manipulados no Grupo VW, o construtor automóvel alemão já tinha alocado cerca de 6,5 mil milhões de euros destinados ao programa de reparações destes carros que ficará totalmente a cargo do Grupo VW.

No entanto, "este valor não será suficiente para enfrentar os custos com multas e litigâncias" que vão surgir nos tribunais em várias zonas do mundo, admitiu o próprio Matthias Müller.

Provavelmente, as verbas que o Grupo VW destina anualmente aos seus projetos de desenvolvimento tecnológico e inovação - cerca de 15,5 mil milhões de euros, mais que o desenvolvimento tecnológico total combinado da General Motor e da Ford - serão fortemente cortadas para evitar consequências ao nível dos salários dos trabalhadores, e para assegurar postos de trabalho.