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Pós-eleições: Bolsa fecha a subir 3,5% em sintonia com a Europa

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A Bolsa portuguesa disparou 3,47 % esta segunda-feira, a acompanhar a forte subida dos mercados na Europa e os ganhos em Wall Street. As eleições não trouxeram surpresas para os investidores

A Bolsa portuguesa fechou em forte alta em sintonia com as suas congéneres europeias, na primeira sessão após as eleições legislativas, que deram a vitória sem maioria à coligação de centro-direita PSD/CDS, como previsto.

O principal índice da Bolsa nacional, o PSI-20, fechou a subir 3,47% para 5.397,91 pontos a acompanhar a subida de 2,82% do índice FTSEurofirst 300, que agrega as 300 empresas mais relevantes na Europa. O índice espanhol IBEX 35 subiu 4,2% ajudado pela revisão em alta do rating de Espanha pela Standard & Poor’s, no final da passada sexta-feira.

“O centro do poder está na Europa. As eleições são um não-evento para o mercado”, diz Albino Oliveira, analista da Fincor. Só teriam impacto na Bolsa, caso houvesse um partido mais radical, não alinhado com Bruxelas, a ganhar poder no país, o que não acontece.

“Mesmo que haja um cenário de instabilidade política, o mercado não será muito afetado porque o enquadramento hoje é totalmente diferente. Há crescimento económico e uma política monetária muito mais favorável”, afirma o mesmo analista.

Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal destaca numa nota de análise que “na realidade, os resultados agora conhecidos estão alinhados com as últimas sondagens de sexta-feira, em que a vitória da coligação se projetava”. “Assim, não há surpresa para os mercados”.

No entanto, o facto de as eleições confirmarem as sondagens, tranquiliza alguns investidores. “Embora sem maioria absoluta, a renovação do mandato do PSD-CDS foi recebida com optimismo pelos investidores, que estão a reavaliar os ativos financeiros portugueses em função de um menor risco político e a comprar mais ações portuguesas”, diz Steven Santos, gestor do BiG.

Entre as subidas em Lisboa, destaque para o ganho de 10,9% do Millennium bcp, ainda a beneficiar de investidores a cobrir posições curtas, e da subida de 7,73% da Mota-Engil.

No mercado secundário de dívida, o rendimento das Obrigações do Tesouro seguia estável em 2,31% (às 16H41). “O mercado de juros de dívida soberana mostrou a tranquilidade dos investidores face ao resultado. Apesar das yields terem estado acima do fecho de sexta-feira passada, negoceiam agora nesse valor”, diz o gestor da XTB numa nota de análise.

O facto de Espanha ter tido uma revisão em alta do seu rating pela Standard & Poor’s, no final da passada sexta-feira, é também positivo para Portugal. A S&P subiu Espanha de BBB para BBB+ com perspetivas estáveis, igualando a notação atribuída pela Fitch. Está três níveis acima de ‘lixo’. A agência de ratings justificou a revisão com a evolução da economia espanhola e a melhoria nas finanças públicas.

Fed sobe taxas só em 2016?

Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 avançava 1,14% (16H55) depois de ter fechado a subir na passada sessão após dados sobre o emprego pior do que o previsto. Os investidores contam agora que a subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal pode só acontecer em 2016 e não no final deste ano.

Os mercados na China estão encerrados devido a feriado e só reabrem na quinta-feira. A semana não conta com a divulgação de indicadores macroeconómicos de relevo. Mas a divulgação das minutas da última reunião da Fed será seguida de perto pelos mercados.

Nas semanas seguintes, “para Lisboa, o mais importante serão as notícias vindas de fora do país”, segundo Albino Oliveira. Nomeadamente indicadores na Europa e EUA mas também da China.