Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Europa lidera ganhos bolsistas

  • 333

Na sessão desta segunda-feira, as bolsas da Europa subiram 2,5%, à frente dos ganhos obtidos nos mercados emergentes. Maré de ganhos em todas as regiões nas primeiras sessões do mês neutralizam previsão de um “outubro vermelho”. Investidores continuam a apostar que o banco central norte-americano só inicia subida dos juros no próximo ano

Jorge Nascimento Rodrigues

Esta segunda-feira foi um dia de ganhos nas bolsas mundiais. A Europa destacou-se com o índice MSCI para a região a registar uma subida de 2,5%, acima dos ganhos de 2,13% verificados nas economias emergentes, de 1,8% nos Estados Unidos e de 1,21% na Ásia Pacífico (onde as bolsas chinesas continuam encerradas em virtude de feriados consecutivos desde 1 de outubro até quarta-feira) para os índices MSCI respetivos.

Na Europa os melhores desempenhos registaram-se com o índice RTSI da Bolsa de Moscovo que subiu 5,25% e com o ASE da Bolsa de Atenas com ganhos de 4,07%. No “clube” dos índices bolsistas com subidas superiores a 3% esta segunda-feira destacam-se, além de Moscovo e Atenas, as bolsas de Madrid (Ibex 35 com subida de 3,83%), Paris (Cac 40 com ganhos de 3,54%) e Lisboa (PSi 20 com avanço de 3,47%). Com ganhos acima de 3% incluem-se ainda índices das bolsas de Oslo, Amesterdão e Estocolmo.

Nas economias emergentes há que destacar a região da América Latina cujo índice MSCI registou esta segunda-feira uma subida de 3,07%. Esta região é a mais penalizada nas economias emergentes desde o início do ano, com uma quebra acumulada de 26,5%, uma correção bolsista significativa, com destaque para o Brasil.

As primeiras três sessões deste mês parecem querer neutralizar as previsões de que iremos ter um “outubro vermelho”. Os índices MSCI regionais e transversal (relativo a economias emergentes) registam ganhos superiores a 3% desde o início de outubro, com destaque para as economias emergentes cujo índice MSCI subiu 3,69%. A Europa subiu 3,59%, os EUA ganharam 3,5% e a Ásia Pacífico avançou 3,29% no que respeita aos índices MSCI respetivos.

Esta dinâmica positiva recente é atribuída por muitos analistas ao facto dos investidores não acreditarem que a Reserva Federal norte-americana (Fed) vai, na realidade, iniciar o processo de subida das suas taxas de juro ainda este ano. O que está em flagrante dissonância com as declarações recentes da presidente da Fed, Janet Yellen, de que o processo seria iniciado até final do ano.

O Observatório da CME para os futuros das taxas de juro da Fed dá esta segunda-feira as seguintes probabilidades de começo do que é designado como processo de “normalização” da política monetária de juros: 6% para a reunião da Fed de 28 de outubro, 31% para a reunião de 16 de dezembro; 43% para a reunião de 27 de janeiro de 2016 e, finalmente, 54% para a reunião de 16 de março do próximo ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já antecipou na semana passada que procederá esta semana à divulgação da revisão em baixa das suas previsões de crescimento mundial para 2015 e 2016 e do alerta para diversos riscos de impacto negativo como a previsão de que os preços baixos das matérias-primas vão continuar por um período prolongado. O FMI divulga esta terça-feira o "World Economic Outlook", um dos seus principais relatórios para a reunião semestral do outono que se realiza, este ano, em Lima no Peru, que se arrastará até domingo. No que foi divulgado na semana passada, o FMI recomendava uma gestão adequada por parte da Fed da "normalização" que tem em vista, a continuação de uma política monetária de estímulos por parte do BCE e do Banco do Japão, e uma mentalização dos governos das economias emergentes, e em particular dos exportadores líquidos de matérias-primas, para a tendência decrescente dos preços das commodities.