Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Outubro abre com ganhos nas bolsas e juros das dívidas públicas descem

  • 333

As bolsas fecharam em terreno positivo nas duas primeiras sessões de outubro, com a América Latina a liderar. Os ganhos na Bolsa de Lisboa colocam-na em terceiro lugar nas subidas da semana, depois de São Paulo e Buenos Aires. Juros dos periféricos da zona euro continuam a descer e rentabilidade anual é liderada pelas obrigações portuguesas e italianas

Jorge Nascimento Rodrigues

Outubro começou fraco nas bolsas à escala global, mas na segunda sessão melhorou, em virtude de subidas de valorização mais significativas nas bolsas da América Latina e Nova Iorque.

Os índices MSCI “regionais” e “transversais” (como, por exemplo, o relativo às economias emergentes) dão um panorama deste começo de outubro, com duas sessões realizadas, ainda que a Ásia tenha registado feriados na China (bolsas fechadas a 1 e 2 de outubro), Hong Kong (bolsa fechada dia 1) e Índia (bolsa fechada dia 2).

O índice MSCI para a América Latina subiu 2,61% nas duas sessões de outubro, liderando os índices "regionais". Em segundo lugar, o MSCI para a Ásia Pacífico com ganhos de 2,06%, seguido da subida de 1,67% para os Estados Unidos, de 1,52% para o conjunto dos emergentes e de 1,06% para a Europa.

Bolsa de Lisboa no grupo de topo dos ganhos

O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa liderou as subidas na Europa na sexta-feira, com ganhos de 2,11% face a uma média de 1,13% para o índice MSCI relativo à Europa. Nas grandes praças europeias destacou-se Milão com o índice MIB a registar ganhos de 1,19% na sexta-feira. Para o conjunto da semana, a Bolsa de Lisboa situou-se em terceiro lugar nos ganhos à escala mundial, depois das bolsas de São Paulo e Buenos Aires.

Na sexta-feira, a par da América Latina, com ganhos de mais de 6% no índice Merval de Buenos Aires e de 3,8% no índice iBovespa de São Paulo, Nova Iorque, depois de uma abertura a cair mais de 1%, recuperou e os principias índices de Wall Street e do Nasdaq fecharam a subir mais de 1%.

Maus dados laborais, são esperança de que a Fed atrase decisão

Nova Iorque parecia ir viver uma sexta-feira vermelha depois da divulgação dos dados do emprego para setembro, com uma quebra da taxa de atividade nos EUA para 62,4%, a mais baixa desde outubro de 1977, o aumento dos layoffs (processo temporário de suspensão dos contratos de trabalho) de mais de 41 mil em agosto para quase 60 mil em setembro, e a criação de novos postos de trabalho em setembro abaixo das previsões dos analistas e do mês anterior.

Mas os mercados financeiros “interpretaram” os maus dados do mundo laboral como “boas notícias” que poderão travar a intenção da Reserva Federal norte-americana (Fed) em iniciar o processo de “normalização” das taxas de juro do banco central (ou seja, a sua subida do intervalo atual próximo de 0%) ainda este ano. Os mercados financeiros continuam a não acreditar nas palavras de Janet Yellen, presidente do banco central, e dos seus principais colegas da direção, de que a subida se iniciará até final do ano. O Observatório da CME para os futuros das taxas de juro do banco central revelam uma probabilidade de apenas 2% para um aumento na próxima reunião de 26 de outubro, de 33% para a seguinte, a 16 de dezembro, e a barreira dos 50% só é ultrapassada para a reunião de março de 2016.

No entanto, os analistas chamam a atenção que as valorizações das ações nas bolsas norte-americanas estão muito altas, com o rácio entre os ganhos e o valor da ação em 24,5, enquanto a média histórica é de 16,6, como sublinha Doug Short, da Advisor Perspectives. Contudo, aquele rácio ainda está abaixo dos níveis superiores a 30 do período de bolha das dot-com. Alguns falam de um “outubro vermelho” no horizonte em Wall Street.

Até agora, uma correção bolsista (uma quebra superior a 10%) só se regista no conjunto das bolsas dos emergentes, com o índice MSCI a cair, desde o início do ano, quase 16%, com destaque para a América Latina, com uma quebra de 28,7%. As correções bolsistas mais violentas nas economias emergentes desde o início do ano registam-se nas bolsas de São Paulo (quebra de mais de 38%), Indonésia (descida de 35%) e Turquia (recuo de 32%). Próximo da barreira dos 10%, situa-se o índice MSCI para a Ásia Pacífico, com uma descida de 8,3%. A Europa caiu 6,4% e os EUA perderam 5% desde o início do ano.

O Fundo Monetário Internacional, na próxima semana, vai insistir para que haja “realismo” na apreciação da situação global, com uma previsão de crescimento “medíocre” (o organismo vai rever em baixa as suas previsões anteriores para o crescimento mundial) este ano e no próximo e um horizonte de um período prolongado de preços baixos nas matérias-primas, o que afetará severamente os exportadores líquidos dessas commodities e alimentará as pressões desinflacionistas (descida da taxa de inflação) e mesmo deflacionistas (inflação negativa). Recorde-se que, em setembro, a taxa de inflação para o conjunto da zona euro caiu para terreno negativo (-0,1%), nas primeiras estimativas do Eurostat, o que já não se registava desde março.

Mercado da dívida da zona euro à espera de mais QE

Prossegue a descida das yields das obrigações soberanas dos membros da zona euro. Os investidores aceitam yields historicamente muito baixas na zona euro, facilitando o financiamento a muito baixo custo do envidamento dos membros do euro, na expetativa que o Banco Central Europeu amplie (de alguma forma) o seu atual programa de compra de dívida soberana no mercado secundário.

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos caíram na sexta-feira para 2,34%. A maior descida nas yields continuou a registar-se para as obrigações gregas naquele prazo de referência, que, ainda, continuam, no entanto, acima de 8%.

O retorno a 52 semanas do investimento em obrigações soberanas na zona euro tem subido. O retorno médio a 52 semanas no conjunto da dívida obrigacionista soberana do conjunto da zona euro (englobando todos os prazos) subiu para 3,74%, segundo o índice da Bloomberg para a dívida soberana. Destacam-se, as rentabilidades das Obrigações do Tesouro português, com um retorno de 6,54%, e das obrigações italianas com um retorno de 6,31%. Acima dessas rentabilidades, à escala mundial, situam-se as dívidas obrigacionistas da Nova Zelândia, Reino Unido, Austrália e Suíça, com retornos nas últimas 52 semanas entre 6,58% e 9,2%.