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Casas portáteis feitas de contentores

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Foto D.R.

A empresa portuguesa Boxcode transforma contentores marítimos em casas e até hotéis ecológicos

Marisa Antunes

Jornalista

Um contentor marítimo tem um tempo médio de utilização que não vai além dos 15 anos, acabando, após esse período, por ser retirado do transporte de carga. Porém, a sua durabilidade, dado os materiais que o compõem, como o aço corten, por exemplo, pode ir até aos 90 anos, criando um potencial de utilização de que muitas empresas a nível mundial já se aperceberam.

A empresa portuguesa Boxcode, que se lançou no mercado este ano, é uma delas. Dos contentores de carga que já ninguém quer (e que podem ser adquiridos junto de agentes transitários ou até em plataformas como o OLX ou o Custo Justo) fazem casas de férias ou de primeira habitação para famílias com preocupações ecológicas e/ou com orçamentos reduzidos. Produtos que a empresa vai lançar já na próxima semana, durante a 8ª edição do Greenfest, evento dedicado à sustentabilidade e que decorre entre os dias 8 e 11 no Centro de Congressos do Estoril.

O produto começou agora a ser lançado em Portugal, mas a Boxcode já está prestes a fechar um grande negócio além-fronteiras. “O Governo da Nicarágua quer 500 casas modulares para habitação social. E também estamos em negociações para projetos na Suíça e em Moçambique.” Por cá, além das parcerias com as autarquias e os projetos para particulares, é ainda de destacar o reforço da capacidade hoteleira da unidade de turismo ecológico e equestre Vale dos Ferreiros, em Abrantes.

O produto começou agora a ser lançado em Portugal, mas a Boxcode já está prestes a fechar um grande negócio além-fronteiras. “O Governo da Nicarágua quer 500 casas modulares para habitação social. E também estamos em negociações para projetos na Suíça e em Moçambique.” Por cá, além das parcerias com as autarquias e os projetos para particulares, é ainda de destacar o reforço da capacidade hoteleira da unidade de turismo ecológico e equestre Vale dos Ferreiros, em Abrantes.

“Esta é uma forma sustentável de dar vazão aos contentores que, por estarem um pouco batidos, acabam por ser retirados do transporte marítimo, apesar de a sua caixa estar em perfeitas condições. O que fazemos é criar uma espécie de ‘sanduíche’ para o seu interior, um revestimento que inclui várias camadas de materiais — entre outros, lã de vidro, madeira, cortiça — que garantem boas condições térmicas”, explica o administrador da Boxcode, Paulo Oliveira.

A empresa tem parcerias com duas fábricas, uma em Pombal e outra no Bombarral, que asseguram a conversão dos contentores em casas e até em pequenas unidades hoteleiras a inserir em ambientes naturais. O arquiteto Manuel Remédios, sócio da Boxcode, cria os projetos e as fábricas parceiras executam.

Uma casa por €25 mil

Reconverter um contentor e transformá-lo num T1 equipado demora cerca de um mês. E a instalação faz-se numa semana. “As casas estão preparadas para evoluir conforme as necessidades das pessoas, pois basta ir juntando novos módulos”, aponta Paulo Oliveira. Um T1 custa €25 mil, um T2 fica por €39 mil e um T3 por €50 mil. E até hotéis podem ser construídos neste registo. Neste caso, os valores podem chegar a um milhão de euros para um pop up hotel com 25 unidades.

O responsável lembra ainda que, para as famílias, este “sistema pop up funciona como uma autocaravana”, acompanhando-as também na mobilidade profissional. “Basta desmontar a casa e montá-la num outro local.”

A Boxcode quer criar condomínios ecológicos para quem não tem um terreno onde possa instalar a casa-contentor. “Estamos a estabelecer acordos com as autarquias, que nos cedem terrenos muito baratos (a €1/m2, por exemplo) onde podemos instalar várias casas modulares”, diz Paulo Oliveira, acrescentando que em todos eles o objetivo é criar também valências desportivas.

Bombarral, Faro e uma outra localidade na zona do Grande Porto (ainda em negociações) estão entre os primeiros a aderir a este conceito.