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Lesados da Prebuild. Treze bolseiros colombianos e a Universidade Católica engrossam a lista

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Bolseiros colombianos ficaram com o mestrado por concluir e a Universidade Católica com propinas por receber

Treze universitários colombianos e a Universidade Cátolica Portuguesa (UCP) engrossam a fila de lesados da Prebuild, que já contava, entre outros, com os desempregados da cadeia Izibuild.

O grupo patrocinou 13 bolseiros para realizarem um mestrado em gestão (Master in Science of Management) no polo de Lisboa da UCP, mas deixou em novembro de 2014 de pagar as mensalidades. A alguns dos bolseiros só falta apresentar a tese.

Em 2013, um ano depois de se instalar na Colômbia, a Prebuild lançou numa cerimónia oficial, que contou com a presença do Presidente colombiano Juan Manuel Santos, um programa de mestrados de ano e meio em Lisboa, no âmbito do seu programa de responsabilidade social. As universidades locais selecionavam os alunos e a Prebuild pagava todas a despesas.

A bolsa financiava a propina da faculdade (10 mil euros), as despesas de alimentação e alojamento e concedia 300 euros mensais para despesas pessoais. Melhor era impossível, para um universitário colombiano que alimentava a ilusão de uma experiência no exterior.

Os candidatos comprometiam-se, após o mestrado em Lisboa, a trabalhar pelo menos dois anos para Prebuild que, entretanto, está de saída da Colômbia e em fase de acerto de contas com os seus parceiros locais. As três empresas no país estão entregues a um liquidatário judicial.

Dois grupos de bolseiros

Os 13 bolseiros repartiram-se por dois grupos. Oito jovens chegaram em janeiro de 2014 a Lisboa e terão de apresentar a tese até março de 2016. Os restantes cinco vieram em setembro e a alguns deles falta ainda assistir a quatro aulas do curso.

Todos eles regressaram à Colômbia em junho e não mais voltaram à Universidade Cátolica Portuguesa. Uma das participantes do programa ficou em Portugal a trabalhar e dois jovens instalaram-se na Europa (Holanda e Espanha) . Os restantes permanecem na Colômbia.

Maria Gina Almeida pertencia ao segundo grupo e contou ao Expresso o seu caso. Está a preparar a tese online mas, como a Universidade recomenda que não trabalhe, é sustentada pela família. A dívida da Prebuild aos estudantes “é reduzida, apenas não foram pagas as faturas dos últimos quatro meses”, diz Gina. O calote à UCP deve rondar os 90 mil euros. Contactada pelo Expresso, a universidade diz não ser sua prática “responder a questões sobre alunos, sejam colombianos ou portugueses”.

Universidade exige pagamento

Esta semana, conta Gina Almeida, “os bolseiros receberam da UCP um email avisando que teriam de apresentar até 15 de outubro um plano de pagamento de 3000 euros (rapazes) e 4000 euros (raparigas). para terem acesso ao diploma”.

Sem dinheiro para pagar, resta aos lesados da Prebuild lançar apelos a patrocinadores colombianos e portugueses que aceitem resolver o impasse fnanceiro. E o que diz a embaixada em Lisboa? “Não pode resolver, por se tratar de programas privadas e bolsas pagas por uma empresa”, responde Gina Almeida.

Prebuild estranha e reconhe dívida

Na versão da Prebuild, o programa de bolsas terminou em junho de 2015 e os alunos foram na altura informados que “depois de regressarem à Colômbia estavam livres de qualquer obrigação contratual”. Aos alunos, o grupo “não deve nada, à exceção de uma aluna, à volta de 400 euros”.

“Apesar de algumas dificuldades momentâneas de tesouraria, procurámos sempre assegurar junto da Universidade Católica que os bolseiros colombianos não fossem prejudicados na sua formação. E não foram.”, diz ao Expresso fonte da Prebuild.

Em ralação à UCP, o grupo reconhece que há dívidas por liquidar, que serão regularizados logo que a situação de tesouraria o permita.. A fonte da Prebuild classifica de estranho todo este ruído à volta do caso dos bolseiros, “uma vez que os alunos nunca foram prejudicados e puderam concluir os seus mestrados, em condições ímpares, mesmo em relação aos alunos portugueses”.