Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsa. O BCP é uma dor de cabeça para os analistas

  • 333

O BCP valorizou quinta-feira 12,6% e esta sexta-feira segue a ganhar mais 8,3%, depois de te registado mínimos em setembro

O BCP é uma dor de cabeça para os analistas das casas de investimento. As indefinições, exteriores ao seu desempenho operacional são tantas que calcular o preço justo e antecipar a cotação é um engima embrulhado numa incerteza.

Depois de ter recuperado quinta-feira 12,6%, esta sexta-feira volta a brilhar na bolsa de Lisboa - a meio da sessão valoriza 8.3%, voltando a uma capitalização superior aos 3 mil milhões de euros. É um caso de outubro ou nada. Em poucas semanas, o banco perdera quase metade do seu valor em bolsa, mas já suavizou a perda anual para menos de 18%.

Parcelas a abater

O caso BCP é mais complexo pelos fatores que condicionam os cálculos. Seguimos, em termos gerais, o raciocínio dos analistas. A atividade em Portugal valerá 3 mil milhões de euros e as operações polaca e afriicana 1000 milhões cada uma. Portanto, 5 mil milhões.

Mas a este valor teremos de fazer abatimentos. Primeiro descontar a parcela de 750 milhões da dívida ao Estado que o BCP terá de liquidar até ao fim de 2016. Um research recente da Société Générale admitia que o banco precisava de um aumento de capital para pagar ao Estado e manter os rácios financeiros confortáveis.

Mas os acionistas têm sido sido demasiado sangrados e o principal acionista (Sonangol) já avisou que não está disponível para injetar mais dinheiro. Na sua análise, a sociedade francesa cortava o preço-alvo em 32%, para 6,35 cêntimos (esta sexta-feira transaciona-se a 5,4 cêntimos).

Depois, os analistas descontam os efeitos Polónia e Novo Banco, de contabilização variável, de acordo com a visão de cada um. Na Polónia vai levar uma forte pancada após as eleições deste mês, quando o governo forçar os bancos a pagar as perdas dos clientes que pediram empréstimos em francos suíços (que entretanto subiu 20% contra o zloty).

No caso do Novo Banco, só depois dos testes de stresse se terá uma ideia de qual será o impacto das perdas em cada banco do sistema. O BCP suporta 200 milhões por cada 100 milhões de prejuízos do Fundo de Resolução. Há ainda dúvidas sobre a contabilização dos famosos DTA (impostos diferidos que podem ser transformados em créditos fiscais em caso de lucros futuros). O BCP é, em todo o sistema, o banco que mais beneficia deste regime.

Tudo somado, a parcela a descontar pode variar entre um valor muito otimista de 500 milhões de euros ou pessimista de três vezes mais. No fim de junho,o banco valia em bolsa 4,6 mil milhões, esta sexta-feira está nos 3,1 mil milhões. São duas balizas plausíveis para o jogo bolsista do BCP.

Os acionistas que há ano e meio participaram no aumento de capital (a 6,5 cêntimos) e os investidores que aceitaram em junho trocar obrigações subordinadas por ações registam ainda perdas acentuadas.

BPI com novo fôlego

Esta sexta-feira é a banca que impulsiona o PSI-20 para ganhos acima dos 2%. Além do BCP, o BPI também está a subir 5% (1,07 euros). Valorizara 8% quinta-feira, terminando a sessão a valer 1,5 mil milhões. As movimentações acionistas e a batalha entre o catalão Caixabank e Isabel dos Santos estimulam o apetite dos investidores.

Na oferta pública de feveiro que depois retirou, o Caixabank oferecia 1,32 por ação. Aparentemente, o banco tem uma margem confortável de valorização, num cenário de despique acionista.