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Outubro abre fraco nas bolsas, e auspicioso para as dívidas soberanas

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Previa-se uma abertura bolsista com ganhos expressivos na esteira da última sessão de setembro, mas só a Ásia fechou a subir mais de 1,5%. Wall Street e emergentes fecham com subidas ligeiras e a Europa desce. Na dívida soberana, o Tesouro espanhol coloca mais de 4 mil milhões de euros pagando juros mais baixos

Jorge Nascimento Rodrigues

O fecho na Ásia nesta primeira sessão de outubro com ganhos generalizados nas bolsas que estiveram abertas a Oriente fazia prever uma entrada auspiciosa no novo mês à escala mundial. Mas tal não aconteceu.

O índice MSCI para a Ásia Pacífico fechou a ganhar 1,59%, mas as bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen e de Hong Kong estiveram fechadas em virtude de feriados nacionais. As bolsas chinesas só reabrirão a 8 de outubro.

O índice MSCI para a Europa fechou quinta-feira, 1 de outubro, a perder 0,08%, com bolsas importantes como a de Frankfurt e Paris a encerrar no vermelho. O índice Dax alemão liderou as perdas fechando com uma queda de 1,57%. Em contraste, o índice FTSE 100 de Londres fechou a subir 0,18% e o Ibex 35 de Madrid conseguiu parar em 0,08%, à beira de entrar em terreno negativo. O índice Eurostoxx 50 (das 50 principais cotadas nas bolsas da zona euro) perdeu 1,02% neste primeiro dia de outubro.

A Bolsa de Lisboa fechou em terreno positivo com um ganho de 1,23% no índice PSI 20, a segunda maior subida na Europa depois de 3,28% do índice SAX da bolsa eslovaca. Foi um segundo dia consecutivo de ganhos do PSI 20; na quarta-feira havia liderado as subidas com ganhos de 3,28%.

Wall Street fechou “mista” nesta quinta-feira, com o índice Dow Jones a perder 0,08% e o S&P 500 a ganhar 0,2%. O Nasdaq perdeu 0,15%. A descida podia ter sido muito maior nos três índices, mas foi invertida a partir do meio dia (hora de Nova Iorque); o S&P e o Nasdaq conseguiram chegar a terreno positivo, o Dow Jones não. No conjunto das bolsas nova-iorquinas, o índice MSCI fechou a ganhar 0,19%.

As bolsas das economias emergentes fecharam em terreno positivo, com o índice MSCI a ganhar 0,7%.

Os ganhos no último dia de setembro registados pelos índices MSCI para a Ásia Pacífico (2,25%), Europa (2,04%), Emergentes (2,02%) e Estados Unidos (1,92%) pareciam apagar momentaneamente a memória de um mês de setembro com quebras generalizadas nas bolsas à escala mundial e davam esperança que outubro abrisse com ganhos expressivos. Mas a primeira sessão do mês foi frouxa.

Espanha e França colocam mais de €12 mil milhões

Já no plano das dívidas soberanas, o mês começou com a continuação da trajetória de descida das yields das obrigações na zona euro que fazem diminuir o custo de financiamento dos Estados. Só as yields das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência a 10 anos não desceram no mercado secundário, mantendo-se esta quinta-feira em 2,39%. As maiores descidas nas yields naquele prazo de referência no mercado secundário verificaram-se na quinta-feira para as obrigações gregas (menos 9 pontos base), irlandesas (menos 8 pontos base) e espanholas (menos 7 pontos base).

Duas emissões de dívida soberana no mercado primário na zona euro marcaram o primeiro dia de outubro.

Por um lado, o Tesouro espanhol colocou dívida de médio e longo prazo pagando aos investidores taxas médias de remuneração inferiores às verificadas em emissões similares anteriores, na primeira operação depois das eleições na Catalunha, onde se poderá caminhar para a formação de um governo pró-independência com maioria confortável no Parlamento, e apesar da incerteza sobre os resultados nas próximas eleições legislativas gerais em Espanha convocadas para 20 de dezembro. Espanha emitiu 4048,7 milhões de euros em dívida a 3, a 5 e a 10 anos. No caso dos 1962,61 milhões de euros em obrigações a 10 anos, o Tesouro espanhol pagou uma taxa média de 1,837% inferior a 1,982% na operação anterior.

Por outro lado, a Agência Francesa do Tesouro emitiu 7995 milhões de euros em dívida a 10 e 15 anos. A 10 anos pagou uma taxa de remuneração média de 0,98% inferior a 1,21% na operação similar anterior. A 15 anos pagou 1,49%.

Os analistas apontam duas razões para uma boa conjuntura no mercado da dívida soberana na zona euro.

Por um lado, a expetativa de que o Banco Central Europeu (BCE) acabará por ampliar o atual programa de compra no mercado secundário de dívida pública emitida pelos membros da zona euro. A pressionar o BCE nesse sentido surge a trajetória de descida da inflação na zona euro (que recaiu em terreno negativo em setembro).

Por outro lado, o regresso do interesse pela dívida soberana dos periféricos por parte dos investidores depois da concretização do terceiro resgate à Grécia, eliminando os riscos imediatos que ameaçavam a zona euro até meados de agosto (Grexit e contágio devido a uma bancarrota da dívida helénica).

Em suma, os investidores aceitam receber remunerações mais baixas para ter em carteira obrigações da zona euro (mesmo de emissores cuja dívida é ainda considerada especulativa pelas agências de notação, como a portuguesa) e os Estados financiam-se pagando menos.

  • As ações do BPI fecharam hoje a subir 7,94%. O banco anunciou ontem que pretende fazer a cisão dos ativos africanos e criar uma nova sociedade que vai cotar em Bolsa, para eliminar a exposição a Angola. Tudo para cumprir requisitos do Banco Central Europeu. As ações do BCP também subiram: 12,64%.

  • A Ásia fechou a primeira sessão de outubro com subidas dos índices bolsistas, com destaque para a Bolsa de Tóquio. As bolsas europeias abriram esta quinta-feira a registar ganhos. O clima positivo do último dia de setembro prossegue