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Família acusa: Salgado era um “one man show” – e tinha uma “alma penada”

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Luís Barra

Dois depoimentos feitos na Suíça por familiares responsabilizam Ricardo Salgado pelas decisões que levaram ao descalabro. Revista “Visão” conta tudo. Até quem era a “alma penada do dr. Salgado”

É o trabalho de capa da “Visão” que está a partir desta quinta-feira nas bancas, sob o título “Família ‘trama’ Salgado na Suíça”. A revista teve acesso a dois interrogatórios feitos no início deste ano na FINMA, o regulador do mercado de capitais da Suíça. O organismo, que é equivalente à portuguesa CMVM, está a investigar o caso Espírito Santo, nomeadamente a venda de papel comercial do GES aos balcões do Banque Privée.

Os interrogatórios em causa são do comandante António Ricciardi e de José Manuel Espírito Santo, que lideravam dois dos cinco ramos da família (e do Grupo) Espírito Santo, hoje desmembrado.

António Ricciardi concorda no seu depoimento que as reuniões do grupo “eram um one-man show do dr. Salgado”. E tanto ele como José Manuel Espírito Santo falam de concentração de poder naquele que era presidente executivo do BES.

Segundo as declarações prestadas, António Ricciardi acredita que José Pedro Caldeira, CEO do banco suíço, “não tem nada a ver com este desastre”, acreditando que “alguém lhe impôs a venda de alguns produtos financeiros”. Quem, Ricardo Salgado? “Sim”. “É uma questão automática, era Salgado quem comandava”, assevera. “O dr. Salgado tinha demasiado poder e toda a gente sabia o que ele dizia”. Também José Manuel Espírito Santo afirmou que havia uma pressão “do dr. Salgado sobre o dr. Caldeira”.

Outro personagem importante na história é José Castella, que era “controller” financeiro do GES. “Era um dos homens que trabalhavam mais diretamente com Salgado”, afirmou António Ricciardi. O seu advogado, Lucio Amoruso, foi mais poético (expressão usada pelo próprio): chamou a José Castella “a alma penada do dr. Salgado”.

Outra pista em investigação são as suspeitas que poderiam existir sobre a falsificação de contas na Espírito Santo International, que só foi tornada pública em 2014. “Ouvimos funcionários que nos disseram que, entre 2006 e 2008, detetaram incoerências entre as contas da ESI e do BPES”, diz o mandatário da FINMA.

“Três gerações foram muito bem comportadas, infelizmente a quarta geração menos, ainda que eu gostasse muito do dr. Salgado”, conclui António Ricciardi. José Manuel Espírito Santo parece concordar: “Nunca imaginei que um homem com este estatuto, desta envergadura, poderia esconder ou mandar esconder”.

Estes inquéritos poderão ser usados num processo-crime que venha a ser conduzido pelo Ministério Público na Suíça, que está a investigar a falência do Banque Privée.

Para aceder à história completa, leia a revista Visão desta quinta-feira.