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Bolsas. Outubro abre com ganhos na Ásia e Europa

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A Ásia fechou a primeira sessão de outubro com subidas dos índices bolsistas, com destaque para a Bolsa de Tóquio. As bolsas europeias abriram esta quinta-feira a registar ganhos. O clima positivo do último dia de setembro prossegue

Jorge Nascimento Rodrigues

A Ásia fechou com ganhos na primeira sessão do mês de outubro e a Europa regista na abertura desta quinta-feira subidas acima de 1% na maioria dos índices bolsistas.

A Bolsa de Tóquio encerrou esta quinta-feira com subidas nos seus dois principais índices, o Nikkei 225 que registou ganhos de 1,92% e o Topix que subiu 2,24%. Taipé, Sidney e Seul fecharam também em terreno positivo. As bolsas chinesas e de Hong Kong estão fechadas em virtude de feriados nacionais que nos casos de Xangai e Shenzhen se estenderão até 7 de outubro, com reabertura das bolsas no dia 8.

Na Europa, os principais índices bolsistas abriam pelas 8h (de Portugal) com ganhos acima de 1%, com destaque para Zurique, Amesterdão, Paris e Londres. O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa abriu também com ganhos acima de 1%. Madrid e Frankfurt estão, ainda, abaixo de 1%.

Recorde-se que a última sessão de setembro, na quarta-feira, foi positiva com todos os índices MSCI “regionais” a fecharem com ganhos, com destaque para a Ásia Pacífico (com uma subida de 2,25%), Europa (2,04%) e economias emergentes (2,02%).

No entanto, o mês de setembro foi negativo, com a Europa e a Ásia Pacífico a liderarem as quedas mensais. O índice MSCI para a Europa recuou 4,74% e o para a Ásia Pacífico perdeu 4,72%. O índice MSCI para as economias emergentes recuou 3,26% e para os EUA caiu 2,82%. O pior desempenho registou-se no conjunto das economias emergentes da América Latina, com o índice MSCI a recuar 7,92%, com destaque para o índice brasileiro que afundou 12,11%.

Ainda há muitos estímulos monetários

Os mercados financeiros continuam a duvidar que a Reserva Federal norte-americana (Fed) inicie o processo de subida das taxas de juro até final deste ano (uma probabilidade de 50% só é atribuída à reunião de 27 de janeiro, no Observatório da CME para os futuros das taxas de juro da Fed).

O Japão deverá avançar para um novo programa de estímulos orçamentais e monetários, depois de ser divulgado, esta semana, que a inflação sem contar com os alimentos frescos caiu 0,1% em agosto e que a produção industrial voltou a cair pelo segundo mês consecutivo (0,5% em agosto e 0,6% em julho). Na região de Tóquio, o índice de preços entrou em terreno negativo em setembro. O Banco do Japão, o banco central, poderá aumentar, ou já a 7 de outubro ou no final do mês, o programa de compra de ativos de 80 mil milhões para 100 mil milhões de ienes (equivalente a um aumento de cerca de 596 milhões para 745 milhões de euros).

E, na Europa, com a inflação na zona euro a recair em terreno negativo em setembro (-0,1%), espera-se que Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, acabe por desfazer o tabu e dê sinais de que vai ser ampliado o programa de compras de dívida pública e privada, e em particular a aquisição de dívida soberana dos países membros no mercado secundário.

Um dos analistas radicados na Suíça, ouvido pela Bloomberg esta quinta-feira, resumia, assim, o sentimento: "Ainda há, por aí, muitos estímulos monetários". Por isso, não acha que as bolsas tenham entrado já num ciclo negativo.

Na próxima semana, o Fundo Monetário Internacional vai reforçar a tónica de que é necessária prudência na política monetária e viragem para estímulos orçamentais nos países que tiveram margem para tal (como Alemanha e Holanda, na zona euro, que a diretora-geral Christine Lagarde mencionou explicitamente esta semana em entrevista ao jornal francês “Les Échos”) face a um panorama de crescimento “medíocre” à escala mundial e de turbulência nas economias emergentes com bolsas a liderarem as quedas desde o início do ano (o índice MSCI para o grupo recuou mais de 17%) e divisas em desvalorização acentuada, com destaque em setembro para 5 mais frágeis, Ucrânia, Bielorrússia, Zâmbia, Cazaquistão e Brasil. Desde início do ano, as 5 divisas mais frágeis abrangem a moeda ucraniana (em hiperdevalorização de mais de 14 mil por cento), os rublos russo e bielorrusso, o real brasileiro e o peso colombiano.