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Inflação na zona euro de novo em terreno negativo

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Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, mais pressionado para dar mais “quantitative easing”

YVES HERMAN

A primeira estimativa preliminar do Eurostat para setembro aponta para -0,06%, abaixo das previsões dos analistas que previam 0%. Recaída em terreno negativo pressiona o Banco Central Europeu para anunciar ampliação do QE em curso

Jorge Nascimento Rodrigues

A inflação homóloga em setembro (em relação a setembro do ano passado) na zona euro caiu para terreno negativo, abaixo das previsões dos analistas que apontavam para 0%.

Segundo os dados preliminares divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat, a inflação anual em setembro registou -0,06%, caindo, de novo, para valores negativos, depois de um processo de desinflação continuada entre maio (0,3%) e agosto (0,1%).

A zona euro registou inflação negativa entre dezembro de 2014 e março de 2015. Em abril subiu para 0%. O mínimo histórico na zona euro registou-se em julho de 2009 com a inflação negativa a atingir -0,7%. Entre 1991 e 2015, a inflação média na zona euro foi de 2,09%, ligeiramente acima da meta do Banco Central Europeu (BCE).

Os primeiros sinais de uma recaída em terreno negativo surgiram esta terça-feira, quando foram divulgados os dados preliminares para setembro relativos à Alemanha e a Espanha.

A economia alemã, a mais importante da União Europeia e da zona euro, registou uma inflação de -0,2% (passando a terreno negativo, depois de uma variação de 0,1% em agosto) e a economia espanhola aprofundou a trajetória de inflação negativa (registando em setembro -1,2%, depois de -0,5% no mês anterior).

A recaída da inflação em terreno negativo na zona euro alimenta as expectativas dos analistas para um sinal a dar por Mario Draghi, o presidente do BCE, no sentido de vir a anunciar uma ampliação do programa de quantitative easing (QE) em curso. A meta do BCE de uma inflação próxima de 2% está cada vez mais longe.

A componente do índice de preços no consumidor na zona euro que está a pressionar em baixa a inflação diz respeito aos produtos energéticos, cujos preços caíram 8,9% em setembro, segundo esta estimativa preliminar, depois de uma descida de 7,2% no mês anterior.

A desinflação importada continua a dominar na trajetória da inflação da zona euro. Desde o início do mês, o índice da Bloomberg para as matérias-primas caiu 3,5% e o recuo desde início do ano soma quase 16%. No atual ciclo descendente, o ponto mais baixo do índice, desde o pico a 22 de abril de 2011, registou-se a 24 de agosto.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) refere no capítulo do “World Economic Outlook” (WEO) que divulgou na terça-feira que a queda dos preços das matérias-primas está para continuar. “Depois de terem subido significativamente durante quase uma década, os preços de muitas matérias-primas, especialmente energia e metais, caíram repentinamente desde 2011”, refere o documento. No capítulo 2 sublinha depois: “Os preços das matérias-primas são notoriamente difíceis de prever, mas há um entendimento geral entre os analistas que provavelmente continuarão baixos, devido a uma oferta ampla e a fracas perspetivas para o crescimento económico global. Os futuros dos preços das matérias-primas sugerem também, dependendo de cada caso, que os futuros preços spot permanecerão baixos ou ressaltarão apenas modestamente nos próximos cinco anos”. O FMI realiza a sua assembleia geral do outono na próxima semana em Lima, no Peru. O WEO será, então, divulgado na íntegra, esperando-se que o FMI reveja em baixa as previsões de crescimento mundial para este ano e o próximo.

Uma das matérias-primas com um peso importante nos preços é o petróleo. O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia disse terça-feira ao jornal austríaco "Kurier" que "o preço do petróleo vai permanecer baixo por alguns trimestres". Fatih Birol acrescentou que "45 dólares por barril vai permanecer o preço por muito tempo". Birol referia-se a um preço médio do petróleo WTI, de referência norte-americana.