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Bolsa de Lisboa lidera subidas e juros da dívida portuguesa descem

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A Europa fechou esta quarta-feira em terreno positivo seguindo a tendência asiática. Sete bolsas europeias com ganhos de mais de 2%, lideradas pela subida de 3,08% do PSI 20, de Lisboa. Juros das Obrigações do Tesouro fecham em 2,39%, o nível mais baixo desde 17 de agosto

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas europeias fecharam esta quarta-feira, última sessão de setembro, com ganhos, seguindo a tendência positiva já registada na Ásia, com os índices da Bolsa de Tóquio a subirem mais de 2,5%.

Sete bolsas europeias registaram esta quarta-feira ganhos superiores a 2%, com destaque para a Bolsa de Lisboa, com o índice PSI 20 a subir 3,08%, e a Bolsa de Milão, com o índice MIB a ganhar 2,74%. Paris, Londres, Frankfurt, Amesterdão e Zurique fecharam com ganhos superiores a 2%. O índice Eurostoxx 50 (das 50 principais cotadas na zona euro) subiu 2,34%.

Apesar do PSI 20 liderar as subidas na última sessão de setembro, perdeu 4,5% este mês. Com quebras mensais muito superiores na Europa, acima de 6%, incluem-se as bolsas do Luxemburgo (o índice caiu 8,3%), Madrid (o Ibex 35 perdeu 7,7%), Frankfurt (o Dax recuou 6,2%), Zurique (o SMI perdeu 5,25%) e Amesterdão (o AEX caiu 5,57%).

No mercado secundário da dívida soberana na zona euro, as yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos desceram 22 pontos base nas três últimas sessões de setembro, fechando em 2,39%, um nível que já não se registava desde 17 de agosto. O prémio de risco da dívida portuguesa, medido pelo diferencial com o custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos, desceu 14 pontos base em setembro, registando esta quarta-feira 181 pontos base, ou seja 1,81 pontos percentuais acima da referência germânica.

Desde o final de agosto, as yields das OT naquele prazo de referência desceram 28 pontos base, a segunda maior descida mensal depois das obrigações gregas, que registaram um forte recuo de 85 pontos base durante setembro, ainda que se mantenham perto de 8,5%. A terceira maior descida registou-se com as yields das obrigações italianas, que recuaram 20 pontos base para 1,73%, ampliando a distância em relação às yields das obrigações espanholas, que fecharam em 1,9%.

Segundo a média da opinião de economistas ouvidos pela Bloomberg, a expetativa é que as yields das OT estarão, apenas, 5 pontos base acima no final de outubro, se a atual coligação governamental em Portugal perder as eleições de 4 de outubro.

As OT a 10 anos continuam com yields historicamente muito baixas apesar das três agências de notação de crédito manterem o rating de dívida especulativa (vulgo "lixo financeiro" no que se refere aos títulos) à dívida portuguesa de longo prazo.

Desde início do ano, Portugal encontra-se em quinto lugar, no ranking da Bloomberg à escala mundial, nas maiores descidas de yields das obrigações soberanas a 10 anos, com uma redução de 67 pontos base (0,67 pontos percentuais, cada ponto percentual equivale a 100 pontos base), depois da Índia (queda de 94 pontos base), Nova Zelândia (menos 84 pontos base), Austrália (menos 88 pontos base) e Suécia (menos 75 pontos base). As exceções à tendência geral de descida registam-se na Grécia (apesar da descida recente, ainda estão 1,74 pontos percentuais acima do fecho de 2014), Brasil (aumento de 1,72 pontos percentuais), México (subida de 36 pontos base) e Singapura (aumento de 8 pontos base).

A entrada da inflação na zona euro em terreno negativo em setembro, segundo a estimativa preliminar do Eurostat, coloca mais pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para dar sinais de que poderá ampliar o atual programa de compra de dívida pública e privada, e em particular a compra de dívida soberana da zona euro no mercado secundário. O que poderá dar mais um fôlego na descida das yields das obrigações soberanas dos membros da zona euro. Até 25 de setembro, o BCE adquiriu cerca de 338 mil milhões de euros em dívida pública dos membros do euro, com exceção da Grécia.

A expetativa na ampliação do programa de compras do BCE e o reinteresse pela dívida soberana dos periféricos do euro depois do terceiro resgate à Grécia ter emagrevido os fatores de risco na zona euro são duas razões apontadas por muitos analistas para a criação de um quadro favorável a descidas ainda maiores nas yields.

  • No último dia de setembro, as bolsas asiáticas encerraram ou estão em terreno positivo. Depois de uma quebra de mais de 4% na Bolsa de Tóquio na terça-feira, os índices nipónicos ganham mais de 2,5% esta quarta-feira. Sidney, Seul, Xangai e Hong Kong já fecharam com ganhos. Europa à espera da inflação

  • Inflação na zona euro de novo em terreno negativo

    A primeira estimativa preliminar do Eurostat para setembro aponta para -0,06%, abaixo das previsões dos analistas que previam 0%. Recaída em terreno negativo pressiona o Banco Central Europeu para anunciar ampliação do QE em curso