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Maria Luís terá dado ordens para esconder prejuízo do BPN

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ERIC PIERMONT/GETTY

Quando ainda só era secretária de Estado do Tesouro, a atual ministra das Finanças terá pedido à Parvalorem, empresa pública que gere os ativos tóxicos do antigo Banco Português de Negócios, para esconder prejuízo de €150 milhões e não agravar o défice de 2012. Notícia é avançada pela Antena 1

O atual Governo terá dado indicações à Parvalorem, a empresa pública que gere os ativos tóxicos do antigo Banco Português de Negócios (BPN), para esconder prejuízos do banco com o objetivo de não agravar as contas do défice de 2012, avança a Antena 1. Desta forma, a Parvalorem terá ocultado uma parte das perdas registadas com o crédito mal parado a pedido de Maria Luís Albuquerque, quando ainda era secretária de Estado do Tesouro. Cerca de 150 milhões de euros.

Segundo a Antena 1, em fevereiro de 2013 a atual ministra das Finanças (na altura ainda Vítor Gaspar assumia esta pasta) soube que a Parvalorem ia ter perdas de 577 milhões de euros, em créditos em risco de incumprimento. Fonte ouvida pela rádio pública conta que Maria Luís Albuquerque pediu para mexer nas contas e divulgar as melhores contas possíveis: "Foi uma martelada que demos nas contas, as ordens vinham de cima, atuámos dentro da margem que tínhamos."

A Parvalorem terá procedido então a uma operação contabilística para adiar o impacto das contas para exercícios futuro, fazendo alterações às contas já auditadas.

Segundo a mesma fonte, que fez parte do grupo de trabalho que mexeu nas contas, a administração da Parvalorem terá demorado três dias a responder e a concretizar o pedido de Maria Luís Albuquerque: "Após este trabalho cirúrgico conseguimos reduzir o valor das imaparidades de 577 milhões de euros para 420 milhões", contou. Ou seja, cerca de 150 milhões de euros terão desaparecido das contas do antigo BPN, com o objetivo de não agravar o défice de 2012.

Paula Poças, administradora da Parvalorem,confrontada com a notícia, já reagiu e desvaloriza a operação contabilística: "O que nos pergunta é: 'Qual é a vossa melhor expectativa relativamente à informação e às garantias que temos no momento?' E nós considerámos que não fazia sentido estar a agravar, no momento, as imparidades", explica. E afirma que tal procedimento, o adiamento das imparidades para exercícios futuros, é natural "numa cobrança difícil, como numa situação destas".

O ministério das Finanças já foi confrontado com a notícia, mas ainda não teceu qualquer comentário.