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É preciso realismo, diz o FMI. Preços das matérias-primas vão continuar baixos

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O “World Economic Outlook” do outono da organização dirigida por Christine Lagarde não cultiva ilusões sobre a trajetória dos preços das matérias-primas e aponta para um impacto negativo até 2017 no crescimento das economias que vivem desse tipo de exportação

Jorge Nascimento Rodrigues

O Fundo Monetário Internacional (FMI) insiste que é preciso realismo. Os preços das matérias-primas vão continuar em níveis baixos, devido a uma oferta ampla e a fracas previsões de crescimento mundial. Essa é uma mensagem do “World Economic Outlook” (WEO) que vai ser apresentado na assembleia do Fundo na próxima semana, e cujo capítulo 2 foi agora divulgado em antecipação.

O relatório do FMI refere que os futuros nos mercados das matérias-primas também sugerem que os níveis de preços permanecerão baixos ou que a subida será apenas moderada nos próximos cinco anos.

Decorrente da trajetória de descida dos preços das matérias-primas nos últimos três anos, vai sentir-se claramente um impacto negativo no crescimento das economias que vivem da exportação de matérias-primas, quer sejam economias em desenvolvimento, emergentes ou desenvolvidas.

Segundo o modelo usado pelo FMI, essa descida de preços vai “roubar” anualmente 1 ponto percentual à taxa média de crescimento dos exportadores líquidos de matérias-primas entre 2015 e 2017 em comparação com o período de 2012 a 2014. No caso específico dos exportadores líquidos de matérias-primas energéticas, o impacto negativo será ainda maior, de 2,25 pontos percentuais anuais. O estudo do FMI abrange economias desenvolvidas como o Canadá e a Austrália, bem como 52 países em desenvolvimento e emergentes (entre eles Brasil e Rússia).

O abrandamento daí derivado no crescimento dessas economias não é apenas um fenómeno cíclico, ainda que as razões cíclicas pesem 2/3. Tem, também, uma componente estrutural, que pesa 1/3. Pelo que não bastam políticas orçamentais de estímulos (onde haja margem para tal), nem chega o uso da flexibilidade na taxa de câmbio (vulgo desvalorização). O FMI insiste que são necessárias reformas estruturais direcionadas.

A previsão dos impactos negativos é demonstrada no capítulo 2 do WEO deste outono, um dos relatórios importantes que as equipas do FMI apresentam para as assembleias semestrais da organização. O capítulo 2, sugestivamente intitulado, “Ajustando a preços de matérias-primas mais baixos”, é o primeiro a ser divulgado, em antecipação à reunião do outono que decorrerá em Lima, no Peru, de 9 a 11 de outubro.

Recorde-se que Christine Lagarde já sublinhou que a organização vai rever em baixa as suas previsões para o crescimento mundial para 2015 e 2016, ainda que se mantenham no patamar dos 3%. As novas previsões vão ser publicadas nos relatórios de outono que vão ser apresentados para a assembleia semestral do FMI.