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BPN. Finanças desmentem “qualquer manipulação ou ocultação de contas”

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josé caria

Ministério das Finanças reage à notícia de que Maria Luís Albuquerque terá mandado esconder prejuízos do antigo BPN, afirmando que as “perdas são sempre registadas nas contas da Parvalorem no momento em que se verificam”

O Ministério das Finanças já reagiu à notícia avançada esta manhã pela Antena 1, dando conta de um pedido de Maria Luís Albuquerque, à data secretária de Estado do Tesouro, à Parvalorem para que não contabilizasse prejuízos de 150 milhões de euros no exercício de 2012, a fim de não agravar as contas do défice nesse ano.

Segundo o comentário do Ministério das Finanças, enviado às redações, não houve "qualquer manipulação ou ocultação de contas". As contas foram avaliadas e avaliadas" pelos auditores e as imparidades "adequadamente" refletidas nas contas.

No comunicado, pode ler-se que "o registo contabilístico de imparidades é função de estimativas de perdas futuras em créditos existentes. As imparidades são avaliadas e validadas pelos auditores das empresas de acordo com os critérios definidos para o efeito e adequadamente refletidas nas contas. Refira-se que qualquer materialização ou não dessas perdas é sempre registada nas contas da Parvalorem no momento em que se verificam, com o correspondente impacto nas contas públicas, pelo que não há qualquer manipulação ou ocultação de contas."

O Governo terá dado indicações à Parvalorem, a empresa pública que gere os ativos tóxicos do antigo BPN, para esconder prejuízos do banco com o objetivo de não agravar as contas do défice de 2012, avançou esta madrugada a Antena 1. Desta forma, a Parvalorem terá ocultado uma parte das perdas registadas com o crédito mal parado a pedido de Maria Luís Albuquerque, quando ainda era secretária de Estado do Tesouro. Cerca de 150 milhões de euros.

Segundo a Antena 1, em fevereiro de 2013 a atual ministra das Finanças (na altura ainda Vítor Gaspar assumia esta pasta) soube que a Parvalorem ia ter perdas de 577 milhões de euros, em créditos em risco de incumprimento. Fonte ouvida pela rádio pública conta que Maria Luís Albuquerque pediu para mexer nas contas e divulgar as melhores contas possíveis: "Foi uma martelada que demos nas contas, as ordens vinham de cima, atuámos dentro da margem que tínhamos."

A Parvalorem terá procedido então a uma operação contabilística para adiar o impacto das contas para exercícios futuro, fazendo alterações às contas já auditadas.

Segundo a mesma fonte, que fez parte do grupo de trabalho que mexeu nas contas, a administração da Parvalorem terá demorado três dias a responder e a concretizar o pedido de Maria Luís Albuquerque: "Após este trabalho cirúrgico conseguimos reduzir o valor das imaparidades de 577 milhões de euros para 420 milhões", contou. Ou seja, cerca de 150 milhões de euros terão desaparecido das contas do antigo BPN, com o objetivo de não agravar o défice de 2012.

Paula Poças, administradora da Parvalorem, confrontada com a notícia, reagiu e desvaloriza a operação contabilística: "O que nos pergunta é: 'Qual é a vossa melhor expectativa relativamente à informação e às garantias que temos no momento?' E nós considerámos que não fazia sentido estar a agravar, no momento, as imparidades", explica. E afirma que tal procedimento, o adiamento das imparidades para exercícios futuros, é natural "numa cobrança difícil, como numa situação destas".

Em causa estão as perdas relacionadas com os ativos do ex-BPN que foram transferidos para a esfera pública com a nacionalização. A Parvalorem, que é a visada nesta polémica, ficou com os créditos, muitos dos quais de cobrança duvidosa.

Pelas regras de contabilidade nacional, as perdas das entidades públicas são registadas no défice orçamental. Neste caso, tratava-se do reconhecimento de perdasque terão sido reduzidas em 150 milhões. O que terá sido poupado o défice desse ano em cerca de uma décima de ponto percentual do PIB.

A Parvalorem tem sido o principal veículo de transmissão das perdas do BPN para as contas públicas. Depois de um buraco inicialmente assumido com a nacionalização de 1800 milhões de euros, o Estado 'recebe' anualmente perdas relacionadas com créditos que entretanto são declarados incobráveis ou apenas são parcialmente recuperados.

Como o Expresso avançou na semana passada, as perdas totais com o banco podem ultrapassar 7000 milhões de euros. É que aos 1800 milhões iniciais somam-se já €2,7 mil milhões devido à recapitalização do banco antes da venda ao BIC e às imparidades reconhecidas pelos veículos criados para gerir os ativos do BPN (Parvalorem, Parups e Parparticipadas) e há ainda créditos de 3,2 mil milhões na Parvalorem por cobrar.

Em 2012, o défice fechou em 5,7% num ano em que o governo teve que ter luz verde da troika para falhar a meta original que era de 4,5% do PIB.

  • Maria Luís terá dado ordens para esconder prejuízo do BPN

    Quando ainda só era secretária de Estado do Tesouro, a atual ministra das Finanças terá pedido à Parvalorem, empresa pública que gere os ativos tóxicos do antigo Banco Português de Negócios, para esconder prejuízo de €150 milhões e não agravar o défice de 2012. Notícia é avançada pela Antena 1