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Shell abandona petróleo do Alasca

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Com perdas de 3,7 mil milhões de euros na prospeção de petróleo no Alasca, a Shell anunciou que encerrou o seu furo na bacia de Burger J, onde contava extrair o petróleo do Ártico

A Shell anunciou a desistência do projeto de prospeção de petróleo no Alasca, pondo fim a um processo mediático que se arrastou muito tempo - e que enfrentou sucessivos protestos ambientalistas, que continuam a contestar a exploração de petróleo no Ártico. A decisão de encerrar o poço da Shell na bacia de Burger J, localizada no mar de Chukchi, implica um "rombo" de 3,7 mil milhões euros nas contas da Shell.
A primeira razão apresentada pela Shell aos mercados internacionais para encerrar os projetos de prospeção petrolífera no Alasca relaciona-se com fracas as quantidades de gás natural e petróleo encontradas no poço exploratório. Os testes iniciais não justificavam a manutenção do investimento no mesmo local, que já ascendeu a 6,3 mil milhões de euros.
No entanto, as empresas do sector admitem que se a Shell pretendesse fazer outras sondagens na zona, teria uma probabilidade de êxito "aceitável". O problema é que com a aproximação do Inverno, o custo dos projetos petrolíferos no Alasca dispara, e o respetivo investimento total seria sempre muito elevado, sendo incomportável face aos níveis atuais das cotações do petróleo Brent e WTI.
O facto da cotação do petróleo continuar a níveis inferiores a 50 dólares por barril, havendo perceção entre os principais analistas do sector que o valor do petróleo no mercado internacional deve manter-se "baixo" durante 2016, leva a que as grandes petrolíferas congelem os projetos de prospeção mais caros, como é o caso dos furos feitos na bacia de Burger J.
Os trabalhos da Shell no Alasca situam-se a cerca de 240 quilómetros de Barrow e foram desenvolvidos na época mais quente do último Verão, permitindo assim que os custos se mantivessem em valores comportavelmente "razoáveis", oque nunca aconteceria nas épocas mais frias do ano. O furo realizado atingiu uma profundidade de 2070 metros, o que é bastante menos que as perfurações efetuadas no Atlântico Sul, no pré-sal da costa brasileira.
Apesar do potencial petrolífero da zona do Alasca da bacia de Burger J continuar a ser tido como elevado entre as empresas de prospeção de gás e petróleo - sendo uma área que tem uma extensão equivalente a metade do Golfo do México - a decisão da Shell, de abandonar esta zona, pode levar outras grandes petrolíferas a voltar as suas atenções para o offshore da costa da Venezuela, onde estão identificadas algumas das maiores reservas petrolíferas mundiais.
A reorientação das maiores petrolíferas para o Golfo do México - onde a BP perdeu muitos milhões de dólares com um dos maiores desastres ecológicos de sempre - e, também, para o mar da Venezuela, deverão alterar a atual geoestratégia do petróleo, deixando em segundo plano o desenvolvimento de projetos muito dispendiosos no pré-sal brasileiro, nas águas ultraprofundas da costa africana e, sobretudo, na "instável" costa nigeriana.