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“Candando” é o nome dos hipermercados de Isabel dos Santos

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A parceria da Sonae com Isabel dos Santos para a área dos hipermercados em Angola terminou oficialmente hoje com o lançamento da "Candando". Quem vai liderar o projeto de distribuição da empresária é um antigo quadro da Sonae, Miguel Osório.

A parceria entre a Sonae e Isabel dos Santos foi cancelada nos primeiros meses de 2015, depois da empresária angolana ter contratado para trabalhar na Condis dois quadros da Sonae, Miguel Osório e o João Seara, os homens que o grupo de Paulo Azevedo tinha a trabalhar neste projeto. A contratação tinha sido feita sem o conhecimento da Sonae e caiu mal. A 25 de abril, o Expresso noticiou que a Sonae iria romper a parceria com Isabel dos Santos, porque a confiança neste projeto tinha sido quebrada.

A Sonae e a Condis tinham começado a preparar o lançamento de uma rede de hipermercados em abril de 2011. A primeira loja deveria ter sido inaugurada em 2013, mas isso nunca aconteceu.

Hoje o fim da parceria foi oficializada, com o lançamento da marca de supermercados de Isabel dos Santos para Angola, a "Candando". O ex-quadro da Sonae, Miguel Osório, é o administrador da "Candando".

O grupo Condis, que vai operar sob a marca "Candando", que quer dizer abraço no dialeto quimbundo, foi apresentado hoje em Luanda, em conferência de imprensa, precisamente por Miguel Osório, que confirmou tratar-se uma empresa detida a 100% pela empresária angolana.

A Condis, avança a Lusa, prevê um investimento de 400 milhões de dólares (356 milhões de euros) nos próximos cinco anos.

A abertura da primeira loja "Candando", de um total previsto de dez ao longo de cinco anos, deverá acontecer no primeiro semestre de 2016, em Luanda, anunciou Miguel Osório. Com 10.000 metros quadrados, esta primeira loja ficará instalada no Shopping Avenida, em Luanda.

Miguel Osório não esclareceu se este novo grupo representa o fim da parceria da acionista Isabel dos Santos com o grupo Sonae na área do retalho em Angola. "Sobre esse tema não tenho comentários a fazer. É um tema da relação do acionista. Estamos aqui enquanto gestão para apresentarmos o projeto e tudo aquilo que diferencia face aos projetos existentes", referiu o diretor executivo do grupo. "Não é uma pergunta relevante neste contexto. Eu estou focado no projeto em que trabalho, muito feliz a liderar esta equipa e a única coisa em que penso é em abrir o melhor hipermercado de Angola", disse.

Sobre os hipermercados "Candando", o diretor executivo apontou a estimativa de criação de 750 empregos diretos em Luanda até 2016, iniciando-se esta semana a campanha de recrutamento e depois a formação dos profissionais.

A logística, com a instalação de uma base própria em Luanda, e o apoio e dinamização de uma rede de produtores nacionais são outros objetivos definidos. As lojas do grupo serão "ancoradas" na venda de produtos frescos e assim voltadas para a produção nacional, "aliando a distribuição moderna aos mercados tradicionais de Angola", enfatizou o responsável.

A crise financeira, económica e cambial que afeta o país, fruto da forte quebra da cotação internacional do petróleo, "não abrandou" o projeto, sublinhou Miguel Osório, garantindo que "há mercado" em Angola para a entrada desta nova marca.