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Bolsas da Ásia fecham mistas e zona euro abre no vermelho. Madrid é exceção

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A Bolsa de Tóquio fechou a perder, mas a de Xangai subiu. Na Europa, Paris, Frankfurt e Milão abrem no vermelho, mas a Bolsa de Madrid está em terreno positivo, depois das eleições na Catalunha. Juros da dívida dos periféricos estão em queda, com Portugal a liderar

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de uma semana vermelha para as bolsas, em que as declarações da presidente da Reserva Federal norte-americana não surtiram o efeito positivo que se antevia, os últimos dias de setembro abriram com as bolsas asiáticas a fecharem “mistas” e a Europa a abrir com as três principais bolsas da zona euro – Paris, Frankfurt e Milão - em terreno negativo.

Na Ásia, as bolsas de Tóquio e de Xangai voltaram a trocar de posição. Os índices nipónicos Nikkei 225 e Topix fecharam esta segunda-feira com perdas superiores a 1% enquanto o índice composto de Xangai encerrou com ganhos ligeiros de 0,27%, consolidados sobretudo na última hora e meia de negociação. A Bolsa de Taipé fechou também em terreno positivo, mas Hong Kong e Seul não abriram hoje. O governador do Banco do Japão reconheceu esta segunda-feira em Osaka que a política monetária "acomodatícia" não chega para puxar a médio prazo a inflação nipónica para a meta de 2%. Em agosto, a inflação homóloga registou 0,2% (e se forem excluídos os alimentos frescos, entrou em terreno negativo).

Na Europa, as principais bolsas estão em terreno negativo, incluindo Paris, Frankfurt, Milão, Londres e Amesterdão, mas Madrid e Zurique estão em terreno positivo. As eleições autonómicas da Catalunha no domingo, apesar de ganhas por um conjunto de coligações e partidos favoráveis à independência do estado espanhol (que poderão eventualmente formar governo com apoio maioritário no Parlamento catalão), não revelaram uma maioria de votantes claramente identificada com um processo de independência. Alguns analistas sublinham, no entanto, que em virtude da indefinição da evolução da situação no parlamento catalão, o risco catalão agrava os riscos da zona euro (processo de desinflação, de novo, em curso; insuficiência do efeito global da ação do Banco Central Europeu; evolução da situação grega em termos de aplicação do memorando do resgate e de renegociação da dívida; resultados das eleições em Portugal e Espanha ainda este ano).

Pelas 9h, o IBex 35 da Bolsa de Madrid regista ganhos de 0,5%. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, segue a tendência negativa geral, mas está praticamente na linha de água.

No mercado secundário da dívida soberana, as yields das obrigações a 10 anos dos países periféricos da zona euro registam uma trajetória descendente. Pelas 9h, a maior descida verifica-se com as yields das Obrigações do Tesouro português naquele prazo de referência, que desciam 11 pontos base para 2,5%. No caso das obrigações espanholas, as yields desciam 7 pontos base para um nível abaixo de 2%. As yields das obrigações gregas desciam 6 pontos base para 8,48%.

Apesar do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, continuar a não desfazer o tabu se o banco central optará por ampliar o atual programa de compras de dívida pública e privada, dois pesos pesados dos meios financeiros, a Pimco e a Blackrock, justaram-se na semana passada ao campo dos atores financeiros que estimam que o BCE acabará por anunciar mais quantitative easing (QE, no acrónimo). Na próxima quarta-feira será divulgada pelo Eurostat a primeira estimativa da inflação em setembro. Os analistas apontam para uma descida para 0%, depois de uma baixa para 0,1% em agosto.