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Novo banco. Emigrantes apelam à retirada de dinheiro de Portugal

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FERNANDO VELUDO / Lusa

“Retirem o dinheiro dos bancos portugueses” — é a palavra de ordem numa manifestação este sábado em Paris

São cerca de 7000 os emigrantes que aplicaram as suas poupanças no BES, agora Novo Banco. O valor investido ascendeu a €720 milhões, agora querem pagar-lhes até 60% em obrigações do Novo Banco e depósitos à ordem não mobilizáveis durante dois. Uma proposta considerada “inaceitável”.

Querem receber o valor investido que dizem ter sido garantido e os juros respetivos. Já estão em marcha processos onde um grupo alargado de emigrantes, representados por vários advogados, reclama indemnizações por danos morais. Hoje manifestam-se em Paris, às 11 horas, e o slogan está escolhido: “Retirem o dinheiro dos bancos portugueses.” Um dos responsáveis do Movimento dos Emigrantes Lesados (MEL), Luís Marques, refere ainda que em alguns dos contratos dos emigrantes o número de contribuinte não corresponde ao do cliente. Pediram explicações ao Novo Banco mas não as obtiveram.

A 25 de agosto tinham aderido à proposta mais de 50% dos emigrantes. Mas o prazo para haver uma aceitação ou recusa da proposta (31 de agosto) foi alterado, passando para 18 de setembro. Isto porque a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) exigiu ao Novo Banco que enviasse uma nota explicativa (simplificada) da solução a todos os clientes para que estes pudessem de forma mais esclarecida tomar uma decisão. O Expresso questionou o Novo Banco sobre se já sabia qual o número de adesões mas até à hora de fecho desta edição a contabilização não estava feita. Só depois dessa identificação é que o Novo Banco poderá agendar uma assembleia geral dos diversos veículos onde estavam os produtos e iniciar o processo de conversão das aplicações em obrigações e depósitos a prazo (ver destaque).

Emigrantes sentem-se duplamente enganados

Os lesados do ex-BES prometem continuar em protesto e não vão desistir de fazer valer a sua posição nos tribunais. Dizem estar a ser maltratados pelo banco em que confiaram e pelo governo português. É por isso que o Movimento dos Emigrantes Lesados apela a todos os emigrantes que retirem o seu dinheiro não apenas do Novo Banco mas de todos os bancos portugueses. Luís Marques considera que o que está a acontecer prejudica toda a comunidade portuguesa. “Estamos muito desiludidos. Diziam-nos para mandar para cá o dinheiro e agora só devolvem o que querem. A partir de agora um emigrante que queira investir em Portugal vai pensar duas vezes e não vai investir.” Outro emigrante lesado promete: “Não vamos baixar os braços. Trabalhámos toda a vida, juntámos dinheiro, depositámos no banco e agora andam a brincar connosco.” Luís Marques refere que não se conforma com a solução que o banco lhe apresentou. “Não os vou deixar tranquilos enquanto não me pagarem.”

Nem todos têm solução

A solução do Novo Banco deixa de fora os clientes detentores de produtos Aforro 10 e EG Premium que foram também vendidos “como produtos de capital e juros garantidos”, da mesma forma como foram vendidos os produtos que o Novo Banco propõe trocar por obrigações, ou seja, a Poupança Plus, Euro Aforro 8 e Top Renda. Num comunicado enviado pelo Movimento dos Emigrantes Lesados em França pode ler-se também: “Não podemos tolerar que nos tratem desta maneira e fiquem com o nosso dinheiro!” Referem ainda que a solução apresentada “que consiste na conversão de uma parte do capital inicial em Obrigações Sénior do Novo Banco sem liquidez no mercado e com maturidade entre 2046 e 20151, é inaceitável” (ver destaque). Referem ainda que muitos emigrantes não receberam o documento que a CMVM exigiu que o Novo Banco enviasse aos clientes para poderem perceber a solução de forma mais simplificada, embora considerem que a mesma deve ser recusada, até porque isso lhes retira a possibilidade de exigir o pagamento da totalidade do que aplicaram.