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Bolsas na Ásia. Tóquio em queda e Xangai com ganhos

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Depois de três feriados, a Bolsa japonesa continua no vermelho. As bolsas chinesas recuperaram das quedas de quarta-feira. Europa está em terreno negativo

Jorge Nascimento Rodrigues

A Ásia fechou em terreno “misto”, com as bolsas de Tóquio, Taiwan e Hong Kong em terreno negativo, e Xangai, Seul e Sidney registando ganhos. A principal expetativa dos investidores centrava-se na bolsa de Tóquio, depois de ter estado encerrada três sessões em virtude de três feriados consecutivos no Japão.

A Bolsa de Tóquio fechou esta quinta-feira no vermelho com os dois principais índices a registar perdas superiores a 2%, depois de três feriados seguidos no Japão. O Nikkei 225 perdeu 2,76% e o TOPIX caiu 2,42%. A trajetória de perdas permanece em Tóquio, depois do Nikkei 225 ter caído 1% na semana passada. O índice PMI para a indústria caiu de 51,7 pontos em agosto para 50,9 em setembro, indicando um abrandamento da expansão da economia japonesa, com uma queda de novas encomendas na exportação, que os gestores de compras inquiridos atribuem ao andamento da economia chinesa. Este índice ficou abaixo das previsões que apontavam para 51,3.

Abenomics em apuros

As “abenomics”, designação para as políticas económicas do primeiro-ministro Shinzo Abe, têm estado sob forte crítica em virtude de um crescimento medíocre de 0,8% no segundo trimestre e de inflação em 0,2% em julho, em termos homólogos nos dois casos. Em cadeia, de um trimestre para o outro, a economia nipónica contraiu 0,3% no segundo trimestre. A inflação em agosto será divulgada na sexta-feira.

Espera-se que Abe apresente o seu novo pacote de "abenomics", já batizado de "abenomics 2.0", ainda esta quinta-feira numa reunião do Partido Liberal Democrático, de que foi reeleito recentemente como presidente por um segundo mandato consecutivo até setembro de 2018. Os analistas políticos adiantam que Abe procederá a um refrescamento do seu governo na primeira semana de outubro e modificará as três "flechas" da sua política económica. As três anteriores, lançadas no final de 2012, diziam respeito a estímulos orçamentais, alívio monetário (o Banco do Japão lançaria depois em abril de 2013 o pacote de QE, ampliado em outubro de 2014) e reformas estruturais. Abe irá, agora, falar de três novas "flechas": uma economia forte; melhoria da segurança social; e educação infantil.

Depois de uma quarta-feira com quebras superiores a 2%, os índices das bolsas chinesas fecharam esta quinta-feira em terreno positivo. O índice composto de Xangai fechou a ganhar 0,89% e o índice CSI 300 (das 300 principais cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen) registou uma subida de 0.69%. No entanto, Hong Kong e Taiwan fecharam em terreno negativo.

As bolsas europeias, depois de ganhos ligeiros na quarta-feira (com o índice MSCI para a região a registar uma subida de 0,19%), estavam pelas 8h30 desta quinta-feira em terreno negativo. mas a trajetória não está definida. O índice de confiança do consumidor na Alemanha, divulgado pela GfK logo ao início da manhã, desapontou, ao cair de 9,9 na medição anterior para 9,6, abaixo das expetativas dos analistas. No entanto, o índice de clima de negócios em setembro na principal economia do euro, que será divulgado mais tarde pelo Ifo, poderá alterar esse sinal negativo.

Noruega corta juros e mercados à espera de Yellen

Mario Draghi, apesar de ter garantido na quarta-feira no Parlamento Europeu que o Banco Central Europeu (BCE) não hesitará em agir com mais política monetária "acomodatícia" em caso de agravamento do panorama económico na zona euro, não deu sinal de qualquer movimento iminente de anuncio de uma ampliação do atual programa de compras de ativos públicos e privados. As previsões mais recentes do BCE para o conjunto da zona euro apontam para uma inflação anual de apenas 0,1%, um crescimento não superior a 1,4% e um nível de desemprego em 11% em 2015.

Entretanto, o Banco Central da Noruega decidiu esta quinta-feira cortar a taxa diretora de juros em 25 pontos base para 0,75% e prevê que possa descer até 0,59% no final do próximo ano. O colapso dos preços do petróleo está a afetar seriamente esta economia europeia exportadora de crude.

A atenção dos investidores e analistas vira-se esta quinta-feira para o discurso de Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal norte-americana, ao final da tarde (noite em Portugal) na Universidade do Massachusetts Amherst. A intervenção será escrutinada ao detalhe, procurando algum sinal se o início da subida das taxas de juro do banco central ainda se concretizará em 2015. Yellen falará já depois do fecho de Wall Street esta quinta-feira, pelo que as ondas de repercussão se farão sentir na abertura de sexta-feira na Ásia e depois na Europa.

  • O presidente do Banco Central Europeu, em resposta à deputada portuguesa Elisa Ferreira, garantiu aos parlamentares europeus que se os riscos negativos prejudicarem as projeções de setembro, os banqueiros centrais reagirão. Mas Draghi quer um “centro político” na zona euro e a conclusão da união bancária