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Wall Street encerra no vermelho depois de a Europa fechar “mista”

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Bolsas norte-americanas, apesar de recuperação na sessão da tarde, fecham a cair. Europa divide-se com ganhos em quatro das principais bolsas, e perdas em Madrid, Amesterdão, Zurique e Moscovo. Preço do Brent fecha abaixo de 48 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

Wall Street fechou esta quarta-feira com os principais índices no negativo. O Dow Jones encerrou com uma queda de 0,31% e o S&P 500 caiu 0,2%. Apesar de uma recuperação na sessão da tarde, os dois índices não conseguiram chegar a terreno positivo pelo segundo dia consecutivo. O fecho no vermelho além-Atlântico seguiu-se a um dia na Europa com ganhos e perdas, e a um fecho em terreno negativo na Ásia Pacífico com uma queda de 1,55% do índice MSCI para a região.

Esta quarta-feira foi dia de divulgação dos índices PMI de setembro para o sector industrial na China, na Zona Euro e nos Estados Unidos. Estes índices revelam a opinião dos gestores de compras naquele sector e confirmam uma trajetória descendente.

O índice PMI para a indústria chinesa caiu de 49,7 para 47 pontos em setembro, o nível mas baixo nos últimos seis anos e meio, o que abalou os investidores asiáticos. Na Zona Euro, apesar de já esperado, o índice PMI para a indústria caiu de 52,3 para 52 em setembro, e o mesmo indicador nos EUA manteve-se em 53, tal como em agosto, o nível mais baixo dos últimos 22 meses.

O risco de um fecho da administração federal nos Estados Unidos – o que foi batizado de “shutdown” – a partir de 1 de outubro regressou depois de dois anos de tréguas do Congresso. O último episódio deste género ocorreu entre 1 e 16 de outubro de 2013.

Na Europa as bolsas dividiram-se em dois “blocos”, com quatro das principais bolsas – Londres, que liderou os ganhos, Frankfurt, Milão e Paris – a fechar em terreno positivo, e outras com quebras, com destaque para Moscovo (o índice Micex perdeu 1,4%) e Madrid, em que o índice Ibex 35 fechou abaixo do nível crítico de 9500 pontos, com os analistas a temerem um comportamento ainda mais negativo depois das eleições autonómicas na Catalunha no domingo. Fecharam, também, em terreno negativo as bolsas de Zurique e Amesterdão. A Bolsa de Lisboa fechou com o índice PSI 20 a ganhar 0,39%. Atenas, no dia em que foi anunciado um novo governo de coligação do Syriza com o Anel, em que Euclid Tsakalotos mantém a pasta das Finanças, a bolsa fechou com o seu principal índice a cair 1,3% e os juros das obrigações do Tesouro helénico a subirem dois pontos base para 8,33%. No conjunto da Europa, depois de uma terça-feira registando uma quebra assinalável de 3,7%, o índice MSCI para a região fechou esta quarta-feira com um ganho ligeiro de 0,19%.

As bolsas das economias emergentes há três sessões que fecham em terreno negativo, com destaque para a América Latina com uma quebra acumulada superior a 7,5% do índice MSCI para a região.

Draghi ainda não prometeu mais QE

Ainda não foi desta que o presidente do Banco Central Europeu (BCE) deu sinais de que anunciaria uma ampliação do programa de compra de dívida pública e privada na zona euro. Mario Draghi, perante os deputados da Comissão de Economia e Finanças do Parlamento Europeu, repetiu esta quarta-feira que o BCE não hesitará em agir, se a inflação continuar a descer e o crescimento económico modesto for abalado pelo contexto internacional, nomeadamente pelo abrandamento nas economias emergentes, com destaque para a China, e pela valorização do euro. Voltou a sublinhar o que já havia dito na última conferência de imprensa depois da reunião do conselho do BCE de setembro.

O BCE e a Reserva Federal (Fed) parecem estar a ganhar tempo para tomarem decisões cruciais no curto e médio prazo, monitorizando o andamento da economia global e o seu impacto na inflação e no crescimento do PIB na zona euro e nos EUA. Ainda que seja um compasso de espera para eventuais decisões divergentes: no caso do BCE a possibilidade de uma ampliação do atual programa de compra de ativos, de reforço da política monetária "acomodatícia"; e no caso da Fed o pontapé de saída ainda este ano para o início de uma subida das taxas de juro depois de sete anos num intervalo próximo de 0%, ou o seu adiamento se os "desenvolvimentos no estrangeiro" assim o impuserem.

Brent abaixo de 48 dólares e Real no ponto mais baixo

O dia ficou marcado por uma descida do preço do barril de Brent (petróleo de referência na Europa) para valores abaixo de 48 dólares, a terceira maior queda de preços nos mercados de matérias-primas esta quarta-feira, e o real brasileiro atingiu um pico de desvalorização face ao euro (com a moeda única a cambiar por quase 4,5 reais) e ao dólar (com a nota verde a trocar-se por mais de 4 reais) nunca registado.

Nos últimos trinta dias, o real desvalorizou 14,4% face ao euro e 16,3% face ao dólar. No mesmo período, o rublo russo valorizou 4,5% face ao euro e 3% face ao dólar. Um contraste entre dois BRIC. A Bolsa de São Paulo voltou a fechar no vermelho, com o índice iBovespa a cair 2%, a maior queda da América Latina. Nas últimas quatro sessões, esse índice perdeu 6,8%.

A atenção dos investidores e analistas vai virar-se amanhã para a reabertura da Bolsa de Tóquio, depois de três dias de feriado, e para um discurso da presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, ao final da tarde (noite em Portugal) na Universidade de Massachusetts Amherst, nos EUA.

  • O presidente do Banco Central Europeu, em resposta à deputada portuguesa Elisa Ferreira, garantiu aos parlamentares europeus que se os riscos negativos prejudicarem as projeções de setembro, os banqueiros centrais reagirão. Mas Draghi quer um “centro político” na zona euro e a conclusão da união bancária

  • As posições inverteram-se. Depois da maré vermelha de terça-feira na Europa e em Wall Street e de ganhos na Ásia, as bolsas fecharam no vermelho a Oriente a abriram em terreno positivo na Europa, com destaque para as Bolsas de Milão e Londres