Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

A “joalharia” da agricultura

  • 333

Luís Coelho

Ervas aromáticas biológicas, carne de bovinos mertolengos e queijo Serra da Estrela são alguns dos produtos com carimbo “made in Portugal” que ganharam esta quarta-feira o prémio Intermarché Produção Nacional, a que o Expresso se associa

A segunda edição do prémio Intermarché Produção Nacional acaba de premiar os projetos agrícolas que se destacam pela sua qualidade e inovação. Dos 12 candidatos que chegaram à fase final do prémio 6 saíram vencedores (em cada uma das categorias) e dois receberam menções honrosas. Os galardões foram entregues ao final da tarde desta quarta-feira, no Centro Cultural de Belém, num evento que contou com a presença da ministra da Agricultura, Assunção Cristas. “Não temos dimensão suficiente para termos ambições de quantidade, mas pelo nosso clima, solo e localização geográfica podemos ambicionar a qualidade. Lá fora, temos de associar Portugal a marcas agroalimentares de qualidade e de valor acrescentado. Aquilo a que costumo chamae joalharia da agricultura”, referiu no seu discurso de abertura, que antecedeu a conferência “Inovar e Investir: Os novos caminhos da agricultura nacional”, promovida pelo Intermarché em parceria com o Expresso (leia mais no caderno de Economia, na edição do próximo sábado).

Sandrina Alves, técnica de micologia silvestre em Vila Pouca de Aguiar, levou para casa o prémio na categoria “Legumes e preparado de Legumes”, para os seus cogumelos plorethus, que vende em fresco, mas também na forma de licores, compotas, farinhas, mel ou chocolate – com o rótulo “Segredos da Floresta”, que já chegou a feiras internacionais em Paris, Madrid e Luxemburgo. Atualmente, colhe entre 300 a 400 quilos de cogumelos, mas tem capacidade para produzir 2 toneladas.

Na categoria ‘Fruta e preparados de fruta’ foi premiada a Azevrago, empresa da zona do Oeste. A produção de peras e uvas não foi o bastante para João Azevedo, que há anos fundou a empresa com pai: quis criar uma indústria de processamento à volta da produção primária e lançou a FrutaFormas, para dar uso à fruta que não tinha escoamento. Nasceram assim os lingotes (barras) de fruta, as rodelas de maçã e pera desidratadas crocantes, assim como as ‘Frutinhas’: gomas 100% de fruta, recortadas com formas infantis, para atrair os consumidores mais jovens.

O prémio para ‘Produtos Biológicos’ foi para a Aromáticas Vivas, empresa de Viana do Castelo gerida por Daniel Campelo, ex-secretário de Estado das Florestas do CDS-PP, em 2009. A produção de ervas aromáticas, em vaso e cortadas, é a especialidade desta empresa, que pertence a sócios locais e a uma multinacional sueca, Spisa, a maior produtora de ervas aromáticas em vaso na Europa. Sem pesticidas, produzem-se por ano 5 milhões de plantas, consumidas sobretudo na Península Ibérica, entre salsa, coentros, tomilho, orégãos ou manjericão.

A Promert – Produtora de Bovinos Mertolengos, que junta 77 produtores desta carne DOP (Denominação de Origem Protegida), foi a vencedora na categoria “Carne e preparados para carne”. A empresa nasceu em 2006 (mas tem origem na Associação de Bovinos Mertolengos, criada em 1987) e trata de toda a fase de processamento da carne: compra, abate e comercializa a carne, pagando aos associados sempre o mesmo valor. Em 2014, produziu 270 toneladas de carne, mas objetivo é duplicar já este ano.

A equipa de jovens enólogos da Quinta da Lagoalva recebeu a distinção na categoria “Vinhos – Produtos Processados”. Produzido em 60 hectares da planície ribatejana, com o Tejo a seus pés, o vinho Lagoalva está a quebrar os tabus associados à região de Lisboa e do Tejo e a mostrar que pode concorrer com as marcas de outras regiões vinícolas. Metade da produção (um total de 300 mil garrafas no ano passado) segue para exportação. Diogo Campilho, um dos enólogos e filho do presidente do conselho de administração da empresa, trouxe de outros países novos e inovador conhecimento técnico: foi buscar castas estrangeiras e promove a vindima noturna que, afirma, confere maior qualidade à uva.

Finalmente, na categoria “Queijo – Produtos Processados”, foi a COCEBA – Cooperativa Agropecuária de Celorico da Beira a distinguida. A organização, nascida na ‘capital’ do Queijo da Serra, agrupa 1400 cooperantes, dos quais 20 são produtores de queijo de ovelha curado (sete dos quais com certificação DOP). Todos os anos são produzidas entre 150 e 200 toneladas de queijo da região, mas apenas 30% são certificados. Além de ter um papel centralizador na produção de leite e queijo neste concelho da Serra da Estrela, a COCEBA tem ainda um papel fundamental na dinamização e preservação das raças autóctones de ovelhas e cabras, fundamentais para a manutenção do ecossistema da Serra da Estrela.

Foram ainda entregues duas menções honrosas: à Sudoberry, empresa de Odemira que consegue produzir morangos durante todo o ano; e à Ervas da Zoé, empresa de Henriques Sancho Manso que, com a sua mulher e filhos, saiu de Lisboa rumo a Idanha-a-Nova, para produzir ervas aromáticas biológicas.

Aos vencedores deste prémio, o grupo Intermarché assegura, durante um ano, a visibilidade e o escoamento dos seus produtos, além de repartir com o produtor os lucros da venda.