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Juros da dívida grega consolidam descida

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Os juros das obrigações do Tesouro helénico abriram esta terça-feira em 8,2%, mantendo a trajetória de descida desde a aprovação do terceiro resgate. Juros da dívida da zona euro em queda, depois de terem fechado a subir na segunda-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das obrigações gregas a 10 anos abriram esta terça-feira a descer para 8,2%, depois de terem fechado em 8,3% na segunda-feira, após as eleições antecipadas de domingo ganhas pelo Syriza. O líder do partido, o ex-primeiro-ministro Alexis Tsipras, foi encarregado de formar novo governo que deverá dispor de apoio maioritário, de 155 deputados, no Parlamento em virtude da reafirmação da coligação entre o partido ganhador e os Gregos Independentes. Na sexta-feira anterior às eleições, as yields fecharam em 8,4%.

A trajetória de descida das yields das obrigações helénicas no prazo de referência regista-se desde o pico de 19,34% no início de julho. Em meados de agosto, o governo grego obteve um terceiro resgate e as yields desceram do patamar dos 10%. A convocação de eleições legislativas antecipadas para 20 de setembro não alterou a trajetória.

No resto da zona euro, as yields das obrigações a 10 anos abriram hoje a descer, depois de terem fechado a subir no dia anterior. No caso das Obrigações do Tesouro (OT) português naquele prazo, as yields fecharam em 2,5% na sexta-feira passada, uma descida de 25 pontos base em relação ao dia anterior, mas subiram na segunda-feira para 2,58%. Abriram esta terça-feira a descer ligeiramente.

No entanto, em virtude da descida das yields das obrigações alemãs (Bunds) no prazo de referência, o prémio de risco da dívida portuguesa de longo prazo tem subido. O diferencial está perto de 2 pontos percentuais, quando nos casos de Espanha e de Itália se situa pouco acima de 1,3 e 1,1 pontos percentuais respetivamente.

Apesar da decisão da Standard & Poor’s em subir a notação da dívida portuguesa de longo prazo de BB para BB+ na semana passada, alinhando com os ratings da Moody’s e da Fitch, a dívida soberana continua com uma classificação de especulativa (vulgo “lixo financeiro”).

Recorde-se que as yields das OT atingiram um mínimo histórico de 1,5% em março deste ano, por efeito da política monetária do Banco Central Europeu com o arranque do programa de compras de dívida pública no mercado secundário, e subiram até 3,27% em junho com o impacto do risco de Grexit (saída da Grécia do euro).

A 15 de outubro vence uma linha de OT a 10 anos lançada em 2005, envolvendo o pagamento do saldo de 5,4 mil milhões de euros. O próximo vencimento de OT será em fevereiro de 2016.

Desde as últimas eleições legislativas portuguesas em junho de 2011, as yields das OT a 10 anos subiram de 11% no início desse mês para mais de 16% em janeiro de 2012, quando atingiram o pico, e começaram uma trajetória descendente depois de iniciada a reestruturação da dívida grega (detida por credores privados), com o afastamento do risco de bancarrota e de eventual saída do euro daquele país membro.