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Bolsas. Maré vermelha na Europa e Estados Unidos

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Com as bolsas da Ásia registando ganhos com exceção da Índia, as perdas dominaram esta terça-feira a Europa e Wall Street. Estiveram em destaque o escândalo VW, a queda do preço das matérias-primas, mais previsões de que o crescimento da China vai ser inferior a 7% e a incerteza sobre o comportamento da Fed até final do ano

Jorge Nascimento Rodrigues

A maré vermelha dominou esta terça-feira as bolsas da Europa e dos Estados Unidos, depois de um fecho em terreno positivo na Ásia, com exceção da Bolsa de Mumbai (Índia) que caiu mais de 2%. O índice MSCI para a Europa fechou a cair 3,7% e o índice MSCI para os EUA perdeu 1,25% esta terça-feira.

O panorama bolsista na Ásia continua limitado por três feriados consecutivos no Japão, com a bolsa de Tóquio a reabrir apenas na quinta-feira. Na China, o índice composto de Xangai e o índice CSI 300 (das 300 principais cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen) fecharam em terreno positivo pelo terceiro dia consecutivo.

Cinco bolsas importantes na Europa fecharam esta terça-feira com quebras superiores a 3% nos seus principais índices – Frankfurt (Dax caiu 3,8%), Zurique (SMI perdeu 3,5%), Paris (CAC 40 caiu 3,4%), Milão (quebra do MIB em 3,3%) e Madrid (Ibex 35 com perdas de 3,1%). No dia anterior, haviam fechado em terreno positivo. O PSI 20, índice da Bolsa de Lisboa, perdeu esta terça-feira 2,4%; nos últimos 30 dias caiu 5,2%.

Nos Estados Unidos, os dois principais índices de Wall Street fecharam no vermelho com quebras superiores a 1%, depois de terem fechado ligeiramente em terreno positivo no dia anterior, com o índice MSCI para o conjunto das bolsas dos EUA a registar na segunda-feira um ganho de 0,41%.

A América Latina há duas sessões que regista quebras bolsistas; o índice MSCI para as economias emergentes daquela região na segunda-feira perdeu 2,16% e esta terça-feira caiu mais 2,41%, com o índice Merval da Bolsa de Buenos Aires em plena derrocada, com uma queda de 6%.

Os analistas apontam para quatro aspetos que estão a influenciar negativamente os investidores no decurso desta semana – o caso VW, China, matérias-primas e Fed.

O escândalo Volkswagen,que estoirou no domingo, tem-se destacado, com uma derrocada no valor das ações da multinacional automóvel alemã. Nas duas sessões desta semana, a valorização da VW AG já perdeu na bolsa alemã 38,4%.

Previsões oriundas do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) apontam para um crescimento da China em 2015 de 6,8%, abaixo da meta política de 7%, tendo a equipa do banco revisto em baixa a previsão anterior. Para 2016, o banco cortou a previsão de 6,8% para 6,7%. O BAD junta-se à OCDE nas projeções desse abrandamento económico mais acentuado, ainda que a OCDE tenha apontado recentemente para crescimentos inferiores aos do BAD, de 6,7% este ano e 6,5% no próximo. Os analistas vão escrutinar minuciosamente as declarações do presidente chinês Xi Jinping que aterrou esta terça-feira em Seatle para uma visita oficial aos EUA e um discurso perante a Assembleia das Nações Unidas em Nova Iorque.

Os analistas relacionam o abrandamento chinês a um impacto negativo nos mercados de matérias-primas e nas economias predominantemente exportadoras de commodities. O índice da Bloomberg para 22 matérias-primas desceu 1% esta terça-feira e a sua quebra acumulada é de 3,6% desde final de agosto e de 16% desde o início do ano. Nos últimos trinta dias, as quedas de preços mais pronunciadas registaram-se para o algodão, a gasolina reformulada, a platina, o sumo de laranja e o zinco.

Finalmente, continua muito elevada a especulação sobre quando a Reserva Federal norte-americana (Fed) iniciará o processo de subida da taxa de juros. Quatro dos governadores dos bancos regionais da Fed pronunciaram-se nos últimos dias no sentido de uma subida até final do ano, mas os analistas centrarão a atenção no discurso que a presidente da Fed, Janet Yellen, vai proferir na quinta-feira em Amherst, no Massachusetts.

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