Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Lisboa vai ter 72 voos por hora

  • 333

Jose Manuel Durao

Proposta sobre aeroporto complementar já está a circular pelas várias entidades envolvidas

O memorando de entendimento que pretende fixar o aeroporto complementar ao da Portela na base aérea do Montijo, e que o Governo espera assinar ainda antes do final da legislatura, já está na posse das várias entidades envolvidas (ministérios das Finanças, da Economia e da Defesa, NAV, Câmara de Lisboa, Câmara do Montijo e ANA), segundo apurou o Expresso junto de fontes próximas do processo.

O documento define o Montijo como localização complementar — recorde-se que na equação chegaram a estar também as bases aéreas de Alverca, Sintra, Monte Real e Beja — e prevê o aumento do número máximo de movimentos por hora em Lisboa dos atuais 40 que a Portela consegue operar para um total de 72.

O objetivo é que o aeroporto de Lisboa aumente a sua capacidade para um limite de 48 movimentos por hora e que a infraestrutura do Montijo — atualmente base da Força Aérea com duas pistas (2187 metros e 2448 metros) — permita um máximo de 24 movimentos por hora.

O aumento da capacidade na Portela já foi, aliás, testado pela NAV, em 2014, aquando da final da Liga dos Campeões em Lisboa, quando chegou a ser registado um pico de 47 movimentos numa hora no aeroporto de Lisboa.

Investimento na Portela e no Montijo

O memorando de entendimento tem o propósito de fixar assim a localização no Montijo e pressupõe um investimento da ANA na base aérea complementar, mas também no aeroporto de Lisboa. Caso haja consenso, caberá ainda à gestora aeroportuária apresentar o master plan para o projeto do Montijo, sujeito a aprovação do Estado.

O projeto prevê também um investimento em acessibilidades — a Administração do Porto de Lisboa (APL) chegou a ser sondada sobre a criação de uma ligação fluvial e o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, tem defendido que para adaptar a base do Montijo a aeroporto civil será preciso uma nova ligação da Ponte Vasco da Gama — e em navegação aérea, através de um reajustamento da gestão do espaço aéreo. O que está previsto é que as bases aéreas do espaço aéreo de Lisboa deixem de ter uma disponibilização permanente e passem a ser geridas através de uma abordagem mais utilitária, consoante as necessidades.

Novo aeroporto fora de questão

Conforme o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações avançou em entrevista ao Expresso há dois meses, o Governo ainda espera, até ao final da legislatura, assinar o memorando de entendimento onde se fixe em definitivo a localização Montijo. “A informação que temos, e com base na proposta que a ANA já nos fez chegar e que tem de ser construída num clima de consenso com os municípios de Lisboa e do Montijo, é que o somatório da capacidade da Portela com as operações que teremos no Montijo permite riscarmos completamente a necessidade de um novo aeroporto durante a vida deste contrato de concessão, ou seja, nos próximos 50 anos”, disse na altura Sérgio Monteiro.
Já esta semana, o secretário de Estado reiterou a expectativa deste Governo em chegar a entendimento e definir o futuro da capacidade aeroportuária de Lisboa.

Espero que seja possível assinar um memorando com diversas partes onde nos comprometemos com a localização. Mesmo que não seja possível, julgo que a decisão será essa e tudo ficará preparado para que o Montijo seja a alternativa complementar à Portela”, sublinhou. Os próximos 10 dias utéis, que contam até à data das eleições, serão decisivos para o processo.