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Depois da maré vermelha na Europa, Wall Street abre, de novo, com perdas

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As principais bolsas na Zona Euro acumulam perdas superiores a 2,5% esta sexta-feira. Wall Street fechou na quinta-feira no vermelho, e reabre há minutos na mesma direção. Incerteza prolongada domina investidores. A Fed está “refém” da China

Jorge Nascimento Rodrigues

Wall Street abriu esta sexta-feira no vermelho. Os dois principais índices - Dow Jones 30 e S&P 500 - estão a cair mais de 1% na abertura há minutos.

A bolsa nova-iorquina segue a tendência negativa de fecho de quinta-feira, depois do anúncio da decisão da Reserva Federal norte-americana (Fed) em não mexer nos juros em mínimos perto de 0%, e prossegue a maré vermelha que assola as bolsas europeias, com destaque para as quedas em Frankfurt, Paris, Amesterdão e Madrid superiores a 2,5%. O índice das principais cotadas na zona euro, o Eurostoxx 50, está a perder mais de 3%. A maior queda, superior a 3%, regista-se com o índice DAX alemão.

A maré vermelha na Europa contrasta esta sexta-feira com o fecho “misto” na Ásia, com quebras na Bolsa de Tóquio (com os índices Nikkei 225 e Topix a fecharem a cair quase 2%), mas ganhos, ainda que modestos, nas restantes bolsas asiáticas, nomeadamente em Sidney, Xangai, Seul, Hong Kong e Mumbai, onde os investidores receberam com “alívio” a decisão comunicada pelos banqueiros centrais norte-americanos.

Os investidores em Wall Street e na Europa estão a interpretar a decisão da Fed com um sentimento de “incerteza prolongada” – a continuação do melodrama do sobe-não-sobe dos juros nas próximas reuniões dos banqueiros centrais de Washington em finais de outubro e em meados de dezembro. “Ansiedade” é uma palavra usada pelos comentários, a par da impressão de que a Fed se tornou “refém” da China, como se escreveu na Reuters a partir de Singapura.

O ministro das Finanças japonês Taro Aso disse esta sexta-feira, à saída de uma reunião do conselho de ministros nipónico, que a decisão da Fed reflete “lóbi por parte das economias emergentes” na reunião recente do G20 na Turquia, segundo a Reuters. No início de setembro, Kaushik Basu, o economista-chefe do Banco Mundial, alertou para o risco de "pânico e turbulência" nas economias emergentes se a Fed optasse por iniciar uma subida de juros em setembro. Outros apontam a situação global como determinante para a cautela da Fed. "Não estamos a assistir a tremores isolados, mas está em curso a libertação de pressão que se acumulou gradualmente ao longo de anos nas principais linhas de fratura", escreveu, no início de setembro, Claudio Borio, chefe do Departamento Monetário e Económico do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), no relatório trimestral da organização. O BIS é tido como o banco central dos banqueiros centrais.

A confusão aumentou com as declarações de Andrew Haldane, economista-chefe do Banco de Inglaterra (BoE), que admitiu esta sexta-feira que “poderá haver necessidade de aliviar ainda mais do que apertar as rédeas monetárias”. Haldane falava esta manhã na Câmara de Comércio de Portadown, na Irlanda do Norte, e chegou a considerar a possibilidade de uma medida mais “radical” de descida da taxa de juro para terreno negativo, como acontece na Suíça desde janeiro deste ano (com o intervalo entre -1,25% e -0,25%) e na Suécia (fixada em -0,35% este mês de setembro). A hipótese de Haldane contraria declarações recentes do próprio governador do BoE, Mark Carney, que afirmou que uma subida dos juros pelo banco central britânico “estará em foco na viragem do ano”.

Numa intervenção considerada “provocadora” pelos meios financeiros, o economista-chefe do BoE considerou, ainda, que seria preferível os bancos centrais avançarem para a emissão de dinheiro digital em vez de tornarem os QE (quantitative easing) como instrumento monetário permanente ou terem de alterar a meta de inflação de 2% para 4%.

Para os analistas que esperam que o BoE inicie também um processo de subida (“aperto”) dos juros que estão em mínimos (0,5%) desde março de 2009, provavelmente logo que a Fed dê o primeiro passo, a hipótese de redução (“alívio”) colocada por Haldane caiu como uma bomba na City.

  • As bolsas de Tóquio, Seul e Sidney abriram esta sexta-feira em terreno negativo, seguindo as quedas de Wall Street na quinta-feira, depois da Reserva Federal norte-americana anunciar o adiamento da decisão de subir os juros

  • A Reserva Federal norte-americana deixou os juros no intervalo entre 0% e 0,25%, um mínimo em que se encontra desde 16 de dezembro de 2008. China, economias emergentes e inflação muito baixa travaram decisão de subida dos juros