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Wall Street fecha em terreno positivo pelo segundo dia consecutivo

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O banco central norte-americano não deverá mexer nos juros. Se o fizer provocará esta quinta-feira um “choque” negativo nos mercados financeiros. Wall Street e bolsas europeias parecem apontar para um adiamento da decisão pela equipa de Janet Yellen

Jorge Nascimento Rodrigues

A reação durante esta quarta-feira dos investidores em Wall Street e nas bolsas europeias parece apontar para um adiamento da decisão de início da subida de juros pela Reserva Federal (Fed), o banco central norte-americano.

Wall Street fechou pelo segundo dia consecutivo em terreno positivo, com os principais índices a subir. O Dow Jones registou ganhos de 0,81% e o S&P 500 subiu 0,85%. Foram, no entanto, valorizações inferiores às de terça-feira, quando os ganhos foram superiores a 1%.

Esta quarta-feira os índices MSCI “regionais” (Ásia Pacífico, Europa, Estados Unidos) e de “grupos” (BRIC, Mercados Emergentes, Mercados Fronteira) alinharam em terreno positivo, com maiores ganhos registados nos BRIC (2,18%), Emergentes (1,97%) e Europa (1,76%).

O comportamento do mercado financeiro norte-americano seguiu a onda positiva na Europa, cujas bolsas registam ganhos também há duas sessões consecutivas. Na abertura dos mercados na Ásia nesta quarta-feira, a onda foi positiva, com o índice composto da Bolsa de Xangai a registar ganhos de 4,91%, liderando as subidas.

O consenso entre os analistas aponta para uma expetativa de adiamento da decisão de anúncio do processo de subida dos juros pela Fed para reuniões seguintes, a 27 e 28 de outubro ou 15 e 16 de dezembro. A última reunião do ano contará com a divulgação do documento de projeções económicas e com conferência de imprensa.

No mercado de futuros das taxas efetivas de juros de referência da Fed, os operadores calculam uma probabilidade de apenas 32% para que um anúncio de subida seja feito na quinta-feira. Segundo um estudo do The Wall Street Journal na semana passada, 46% dos economistas e académicos inquiridos apontavam o início da subida dos juros agora na reunião de setembro, mas a maioria inclinava-se para as reuniões seguintes, com 35% a indicar 15 e 16 de dezembro como o momento do anúncio.

A declaração da Reserva Federal sobre política monetária é esperada para as 19 horas (de Portugal) de quinta-feira e a conferência de imprensa da sua presidente, a economista Janet Yellen, para meia hora depois. A Fed iniciou a sua reunião esta quarta-feira. Será também divulgado na quinta-feira o documento de projeções económicas. Recorde-se que os dados mais recentes apontam para uma previsão de um crescimento de 1,5% no terceiro trimestre deste ano, abrandando em relação ao crescimento verificado nos dois primeiros trimestres, e confirmou-se esta quarta-feira que a inflação homóloga em agosto se manteve em 0,2%. Apesar da economia norte-americana estar praticamente em pleno emprego (taxa de desemprego em 5,1% em agosto), o crescimentro trimestral pode estar a patinar e a inflação não descola.

No caso de a Reserva Federal surpreender amanhã os mercados com o anúncio de uma subida no intervalo de juros – muitos economistas calculam que a primeira alteração seja de 0% a 0,25% para 0,25% a 0,50% -, os analistas falam do risco de um “choque” negativo nos mercados financeiros.

Alguns analistas adiantam a possibilidade da Fed abandonar a definição de um intervalo (como acontece desde o início da crise) para a variação dos juros e anunciar o regresso à fixação de um juro (por exemplo, fixar agora os juros em 0,25%, o ponto superior do atual intervalo).