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Sector do Leite: Mercado a abrir, 250 empresas a fechar

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Durante 30 anos os produtores de leite europeus estiveram protegidos por um sistema de quotas. Em abril deu-se a liberalização. Mas já há quem reclame o regresso ao passado

Os produtores de leite vão dispor de uma linha de crédito bonificado de €50 milhões para fazer face ao embate com o mercado liberalizado, em vigor desde o início de abril. Os preços pagos à produção têm vindo a cair sucessivamente e situam-se agora nos 28 cêntimos por quilo (1,3 litros), quando há um ano rondavam os 36 cêntimos.

Fernando Cardoso, dirigente da Fenalac, que congrega mais de 50% do sector, nota que só este ano já fecharam as portas mais de 250 pequenas produções, o que equivale à perda de 500 postos de trabalho diretos.

Em grande parte, esta 'sangria' deve-se ao fim do sistema de quotas - que na prática protegia os produtores contra a concorrência - e à entrada num mercado aberto, onde as condições de competição entre países europeus e destes com o resto do mundo são "profundamente desiguais", sublinha aquele responsável.

Por isso mesmo, a Fenalac reclama a criação, pela União Europeia, de um regime transitório regulado ou um mecanismo que adeque a oferta e a procura em função das flutuações do próprio mercado, agora mergulhado numa constante volatilidade. A Fenalac não está sozinha nesta reivindicação, pois, no conselho europeu de Agricultura extraordinário que reuniu na passada semana em Bruxelas, houve quem defendesse um regresso ao sistema de quotas. "Mas isso não vai ser possível", disse então ao Expresso Assunção Cristas, ministra da Agricultura.

Os produtores dizem que toda a ajuda financeira será bem vinda, mas não chega.

Recorde-se que, para além da linha de crédito aprovada esta na semana passada em Conselho de Ministros, a Comissão Europeia anunciou também um pacote de ajuda da ordem dos €500 milhões.

Paralelamente, os produtores nacionais ficarão isentos do pagamento de prestações à Segurança Social por um período de três meses, o qual poderá ser prolongado "caso se verifiquem condições para tal", referiu Assunção Cristas.

Por outro lado ainda, haverá medidas de estímulo ao consumo, para fazer face às quebras que se têm vindo a registar.

"Estamos a falar sobretudo de campanhas de marketing e publicidade e promoções específicas junto das escolas", acrescenta a ministra. Em complemento a estas medidas será ainda reforçada a estratégia de internacionalização do sector, com abordagem de novos mercados, sobretudo na China, Chile, Norte de África e países do Golfo.

Apesar de, em Bruxelas, ter sido veiculada a hipótese de se optar pelo estabelecimento de preços mínimos à produção, para garantir alguma estabilidade, nada ficou decidido nesse sentido, ao contrário do que chegou a ser defendido por alguns países, como a França, que é um dos principais produtores de leite da Europa.