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Novo Banco só é vendido em 2016 e sem mais dinheiro do Estado

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Na edição desta quinta-feira do programa "Quadratura do Círculo" da SIC Notícias, Lobo Xavier foi o único dos comentadores a defender a recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal

Tiago Miranda

Banco de Portugal adia venda para mais tarde, depois de conhecidas as necessidades de capital impostas pelo Banco Central Europeu. Carlos Costa pediu ao Novo Banco que apresente um plano de estratégico e de reforço de capital

O Banco de Portugal (BdP) colocou um ponto final no processo de venda do Novo Banco. O novo concurso será aberto nunca antes do final de novembro. A ideia é agora avançar com um plano de reestruturação que inclui um plano estratégico de venda de ativos e outro de reforço de capital. Só depois de conhecidas as reais necessidades de capital do antigo BES é que o BdP irá colocar de novo o banco à venda. Objetivo: tornar o banco mais atrativo.

Esse plano será feito pela administração de Eduardo Stock da Cunha e poderá ser auditado, segundo apurou o Expresso, por uma consultora externa. Desta forma, os potenciais candidatos poderão oferecer um preço de acordo com as perspetivas de valor que o Novo Banco possa ter no médio prazo.

O BdP não define um novo prazo limite para a venda do Novo Banco. Contudo, a mesma não deverá acontecer antes de 2016. O novo concurso será mais rápido do que o anterior (foi iniciado em dezembro de 2014 e terminou a 14 de setembro de 2015) mas acontecerá sempre no próximo ano. Este adiamento não terá qualquer impacto no défice de 2015, apenas no de 2014.

No novo procedimento de venda, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, admite mesmo não vender a totalidade do capital do Novo Banco. Ou seja, no novo concurso os potenciais compradores não terão de comprar a totalidade do capital do banco, como era obrigatório no processo que o BdP deu por encerrado esta segunda -feira. Desta forma, o banco central facilita a entrada de investidores institucionais, deixando para mais tarde a venda da totalidade do capital. Entre os cenários possíveis, a dispersão em bolsa de parte do capital do Novo Banco também está a ser estudada. Até lá, a reestruturação do banco produzirá os seus efeitos.

Esta seria uma forma de contornar as dificuldades existentes do concurso que agora chegou ao fim sem sucesso e encontrar um acionista que garanta a estabilidade do sistema financeiro.

O adiamento da venda para mais tarde e a apresentação de um plano de reestruturação são vistas como forma de minorar as incertezas relativas às necessidades de reforço de capital do banco. Ou seja, permite contornar as dificuldades existentes, por parte dos potenciais compradores, relativamente às necessidades de capital que os testes de stresse do Banco Central Europeu poderão ditar para o Novo Banco. Este foi, aliás, um dos obstáculos nas negociações com a Anbang e a Fosun.

O falhanço das negociações do Banco de Portugal com os investidores chineses da Anbang, considerada a melhor oferta, e da Fosun, a segunda mais bem posicionada, fez com que o Banco de Portugal adiasse a venda do Novo Banco, deixando o finalista norte-americano Apollo de fora. Este ainda foi sondado, mas o BdP concluiu que não era necessário abrir negociações exclusivas, já que era impossível chegar ao valor que considera justo.

Estado não coloca mais dinheiro

O supervisor não quer, segundo apurou o Expresso, colocar mais dinheiro no Fundo de Resolução para fazer face a possíveis necessidades de capital do antigo BES. A prioridade é reforçar os rácios de capital através da alienação de ativos na área imobiliário e/ou operações não estratégicas. Caso seja necessário injetar mais capital no Novo Banco, o processo será feito através do recurso ao mercado e nunca pelo Fundo de Resolução.