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Investimento imobiliário dispara 58% e vai já nos €1088 milhões

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Nos primeiros oito meses deste ano o sector imobiliário não residencial já faturou quase tanto como em 2007, o ano recorde, quando se atingiram os 1196 milhões de euros. Este ano, segundo a consultora Cushman & Wakefield, esse recorde deve ser batido

Os negócios imobiliários estão a caminho de um recorde histórico em Portugal. Entre janeiro e agosto deste ano foram já negociados imóveis no valor de 1088 milhões de euros, o que reflete uma subida de 58% face ao volume total do ano de 2014, em que os valores transacionados rodaram os 689 milhões de euros.

Estes valores dizem respeito a todos os segmentos do sector excluindo o residencial, ou seja, inclui edifícios de escritórios, centros comerciais, hotéis e unidades industriais.

De acordo com os dados disponibilizados em primeira-mão ao Expresso pela consultora Cushman & Wakefield, se a comparação for feita com o melhor ano de sempre do sector em Portugal, que foi 2007 (com 1196 milhões de euros faturados), será de admitir claramente a hipótese de este ano se poder bater um recorde absoluto de transações imobiliárias, sobretudo no mercado da Grande Lisboa.

Estrangeiros dominam

De acordo com aquela consultora, 90% do investimento já realizado teve origem no estrangeiro.

Entre as principais transações já realizadas este ano a C&W destaca a venda do centro comercial Dolce Vita Tejo, pelos espanhóis da Chamartín Imobiliária e ING Real Estate ao Eurofund Investments. O valor desta transação não foi tornado pulico, mas até agora é o maior em volume, segundo algumas fontes do mercado. Logo a seguir, destaca-se a venda dos centros comericias Almada Forum e Forum Montijo pelos alemães da Commerz Real à norte-americana Blackstone por 332 milhões de euros como parte de um portfólio internacional adquirido por este fundo de investimento.

A venda de quatro hotéis Tivoli pela Gespatrimónio Rendimento à Minor International (com ligações à Tailândia) por um valor que se aproximou dos 120 milhões de euros, foi o terceiro negócio mais significativo do ano.

Rentabilidade em níveis pré-crise

Segundo os analistas da C&W, no fecho do primeiro semestre de 2015 a yield prime (taxa de rentabilidade, nos lugares mais caros de Lisboa) recuperaram na sua maioria os valores pré-crise. O comércio de rua na cidade de Lisboa, por exemplo, mantém-se como o “ativo estrela”, com a yield mais baixa, nos 5,25%. Nas contas da C&W, seguem-se escritórios e centros comerciais, cuja yield, em Junho de 2015, se encontrava nos 5,50%. “Também o setor industrial, tradicionalmente menos procurado pelos investidores, verificou a maior correção, atingindo os 7%”.

Sinais que os analistas consideram indicativos de que estamos perante uma dinâmica de mercado que há muito não se via em Portugal, e com especial incidência no mercado imobiliário da Grande Lisboa.

O mercado nacional está finalmente na mira dos grandes fundos de investimento internacionais, como a Lone Star Funds e a Blackstone, quando até há pouco mais de meia dúzia de anos não atraía atenções muito além de Espanha, França ou Alemanha.

Há muita liquidez no mercado

Como é que se explica este volte-face? Fundamentalmente, e segundo alguns analistas, devido a três fatores: Por um lado, a imagem do país lá fora melhorou. Portugal é visto agora como uma história positiva pelos investidores, associado frequentemente à Espanha e à Irlanda. Em segundo lugar, há muita liquidez no mercado mundial. Por último, mas não menos importante, os mercados tradicionais como Londres, Paris ou Frankfurt, estão saturados e as atenções estão a virar-se claramente para os países periféricos, onde Portugal se inclui.

O facto de as taxas de juro das dívidas estarem historicamente baixas e, pelo contrário, as taxas de rentabilidade do imobiliário estarem a subir, também está a chamar a atenção dos investidores estrangeiros para o mercado da pedra.