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“A ambição deve ser uma taxa de desemprego de 5%”

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A maior preocupação do economista Pedro Portugal no mercado de trabalho são os empregados de longa duração e com baixas qualificações

TIAGO MIRANDA

“Temos um mercado de trabalho disfuncional, devido ao número muito reduzido de vagas. O que faz com que a experiência de um desempregado seja dramática: as pessoas caem num buraco muito fundo”, diz o professor da Nova School of Business and Economics. Especialista em economia do trabalho, Pedro Portugal foi uma das vozes mais ouvidas pela troika durante os anos de intervenção. É considerado em alguns rankings como o mais influente economista português

Especialista em economia do trabalho, Pedro Portugal foi uma das vozes mais ouvidas pela troika durante os anos de intervenção. É considerado em alguns rankings como o mais influente economista português. Faz parte do grupo informal de economistas que apoiou a coligação PSD/CDS na preparação do programa eleitoral, mas recusa a ideia de vir a ter carreia política. Aponta o desemprego de longa duração e as fracas qualificações de muitos trabalhadores como um dos maiores problemas do país. Mas está otimista face ao futuro.

A taxa de desemprego está nos 12,1%. Vai continuar a baixar?
Ainda é um valor muito elevado. A ambição deve ser uma taxa de desemprego de 5%. É possível com um bom funcionamento do mercado de trabalho e políticas que favoreçam esse tipo de taxas de desemprego. Temos um mercado de trabalho disfuncional, devido ao número muito reduzido de vagas. O que faz com que a experiência de um desempregado seja dramática: as pessoas caem num buraco muito fundo.

O forte aumento do desemprego era expectável?
Foi previsto pelo Olivier Blanchard [economista-chefe do FMI] em 2005. O desequilíbrio de competitividade era estrutural e estava escrito que iria ter um desfecho infeliz.

Mais infeliz do que previram?
O aumento do desemprego foi muito mais severo do que previsto no programa de ajustamento. Muito por causa das fortíssimas restrições no crédito às empresas. E também o ajustamento dos salários. Nunca tinha visto uma coisa assim: os salários-base foram congelados para 80% dos trabalhadores.

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