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Chineses desistem do Novo Banco: zài jiàn* “BES bom”

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Encruzilhada. A primeira escolha para a venda do Novo Banco foi a Anbang. Se falhar, o segundo caminho está escolhido

Nuno Botelho

Depois da Anbang, é a vez da Fosun abandonar as negociações para a compra do Novo Banco. Só resta um interessado, a Apollo. Probabilidade de haver venda é agora menor.

A Fosun abandonou as negociações para a compra do Novo Banco. A informação, avançada ao fim desta manhã pela SIC, confirma a notícia do Expresso de sábado passado, que dava conta da falta de interesse dos chineses no processo, que era por eles já dado como perdido.

Segundo a SIC, foi na terça-feira que o conglomerado chinês abandonou a “mesa” das negociações. É o segundo fracasso no processo, depois de os também chineses da Anbang terem negociado a compra sem chegar a um desfecho positivo. Das três propostas apuradas para a fase final de negociações, sobre apenas o fundo americano Apollo.

Como o Expresso noticiou no sábado passado, a Fosun ficou surpreendida por ter sido chamada pelo Banco de Portugal para negociações no processo de venda do Novo Banco. O interesse dos chineses havia já esmorecido, em face de vários desenvolvimentos. Fontes então citadas pelo nosso jornal garantiam mesmo que não só o interesse da Fosun era diminuto como os chineses não esperavam chegar a acordo.

Em causa dois factores: por um lado, a crise nos mercados financeiros asiáticos afectou fortemente as empresas chineses; por outro lado, novos dados relativos ao Novo Banco, como os prejuízos do primeiro semestre e o aumento do risco no processo da Goldman Sachs/Oak Finance, também noticiado pelo Expresso há duas semanas, aumentam os riscos quanto ao valor do negócio. E a estimativa do prejuízo de uma eventual venda ultrapassa já os dois mil milhões de euros. É por isso, aliás, que a venda é eventual: pode não acontecer, o que forçará o Novo Banco a uma capitalização a realizar de outra forma, com envolvimento do Fundo de Resolução, que é dos bancos e está financiado pelo Estado.

Até lá, sobra o último interessado, o “private equity” americano da Apollo, que, esse sim, sempre se mostrou junto do Banco de Portugal empenhado no processo. Resta saber se as condições que as partes exigem são conciliáveis.

Citado pelo Negócios, o Banco de Portugal reage sem confirmar nem desmentir as informações desta manhã: “Oportunamente, o Banco divulgará o resultado do processo negocial que está a desenvolver para concretizar a venda do Novo Banco SA”.



*Zài jiàn*: adeus em mandarim

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