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Biografia de Ilídio Pinho. Passos Coelho, ministros e 600 convidados no lançamento

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Rui Duarte Silva

Dezenas de personalidades da vida pública portuguesa marcarão esta quinta-feira presença no lançamento da biografia do empresário Ilídio PInho

Seiscentos convidados, com muitas figuras ilustres do empresariado e política, dois ministros (António Pires de Lima e Nuno Crato) e a intervenção de encerramento a cargo do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Não é vulgar o lançamento de uma biografia registar tal adesão, mas é o que acontecerá com o livro “Ilídio Pinho, uma vida” que será apresentado ao fim da tarde desta quinta-feira no auditório da Universidade de Aveiro. Ilídio Pinho, empresário de Vale de Cambra, destacou-se por fundar a Colep (embalagens) aprofundou a sua intervenção cívica depois de vender a empresa e criar uma fundação em memória do filho e sucessor.

A carreira de Ilídio cruzou-se com a de Pedro Passos Coelho quando este debutou, em 2004, como administrador na Fomentivest, dirigida por Ângelo Correia. A IP-holding era o principal acionista do grupo. A amizade ficou, mas a biografia não regista factos ou episódios desta relação. No livro, Ilídio distribui fartos elogios a Mário Soares, deixa críticas a Eanes e evita referências aos políticos com quem privou.

A política não entra

Se o lançamento da biografia ocorre em plena pré-campanha eleitoral, o empresário afasta conotações políticas. É pura coincidência, tal como acontecer 50 anos depois da fundação da Colep. O livro é apresentado “quando ficou pronto”. O lançamento “não tem qualquer intenção política, antes o desejo de registar uma vida de dedicação patriótica à causa empresarial e pública”, reage Ilídio Pinho.

Os testemunhos de Mário Soares, Passos Coelho ou Marcelo Rebelo de Sousa encontram-se entre os 72 depoimentos que a biografia acolhe. “É sobretudo um homem com uma visão para Portugal, com uma ideia de Portugal o que é extremamente importante e raro mesmo nos empresários”, elogia Mário Soares.

Já Passos Coelho descreve-o “como um homem lutador, que tem colocado a sua energia e o seu saber também ao serviço da comunidade”. O empresário Alexandre Soares dos Santos conheceu Ilídio na qualidade de fornecedor do grupo Jerónimo Martins. “Impressionou-me a sua visão empresarial, o rigor e a qualidade que imprimiu na sua empresa e tenho pena que Portugal não tenha tido mais empresários com o seu valor”, diz Soares dos Santos.

O banqueiro António Horta Osório, a quem caberá na cerimónia desta tarde o elogio de Ilídio, enaltece no seu testemunho “a visão sempre estratégica dos assuntos, o que levou a construir um projeto empresarial único e, posteriormente, a empenhar-se da mesma forma nos destinos da sociedade portuguesa”.

Guia para candidatos a empresários

A biografia funciona como um guia de empreendedorismo, incluindo relatos sofridos das lutas contra os monopólios e abusos do Estado (chegou a ser acusado de contrabando de álcool) e uma certa “cultura de chico- espertismo” dominante em Lisboa, nos anos de 1980, em resultado do capitalismo popular. O livro combina o relato da sofrida odisseia da Colep até se transformar multinacional com o retrato multifacetado de um self made man à portuguesa que António Lobo Xavier classifica numa síntese feliz de “um verdadeiro caçador de sonhos”. Um dos sonhos foi bruscamente ceifado em outubro de 1990 com a morte na Suíça, do “herdeiro natural”, Ilídio Pedro, 22 anos. Vendeu então a Colep a um fundo do BES e de George Soros e cria em homenagem ao filho uma fundação, com uma dotação de 50 milhões de euros.

Ao Expresso, Ilídio Pinho justifica o lançamento “por considerar útil partilhar a sua experiência de vida com os defensores de causas e a nova geração de empreendedores”, elegendo como chave do livro o conceito de autonomia. Sem autonomia “empresas ou países não podem assumir compromissos”, refere.

Um problema existe, resolve-se

No livro, da autoria de José Manuel Mendonça, catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e colaborador da Fundação IP, conta-se em detalhe a “educação austera” de Ilídio, dividida entre a escola e tarefas como recolher sucata na pequena oficina do pai.

Conta episódios coloridos como o de um pai desesperado que ofereceu dinheiro a Ilídio para contratar a filha ou de uma senhora que só aceitou vender-lhe terrenos para a expansão da fábrica se lhe guardasse o dinheiro porque não confiava nos bancos nem no marido. E explica o momento em que, uma conversa com um gestor suíço se transformou numa tempestade cerebral e na lição de uma vida. A “lição de Berna” mudou de vez a vida do jovem Ilídio e ditou-lhe o lema que figura, desde então, como primeiro mandamento do seu decálogo empresarial. “Um problema existe, ataca-se e resolve-se, antes que se transforme num bloqueio”.