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BCP. Regressa o fantasma do aumento de capital

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Polónia, Novo Banco e empréstimo por liquidar ao Estado conjugam-se para derrubar o valor do BCP. Os analistas especulam sobre a fatalidade de um novo aumento de capital

Quinze meses depois de ter realizado com sucesso o maior aumento de capital de sempre (2,2 mil milhões de euros) o BCP acumula uma severa desvalorização e, entre os analistas, há quem que se interrogue se o banco não será forçado a reforçar novamente o seu capital.

Um research da Société Générale deu um passo à frente e calcula que o banco precisa de mais 750 milhões de euros para devolver, em 2016, o dinheiro que ainda deve ao Estado. No relatório, a sociedade francesa cortava o preço-alvo do BCP em 32%, para 6,35 cêntimos (esta quinta-feira transaciona-se a 5,1 cêntimos, desvalorizando ligeiramente). Ontem caiu 4,5%.

O BCP já rejeitou a ideia de novo aumento de capital e que tal não será necessário para antecipar para 2016 o reembolso ao Estado. Mas, o desmentido pode não tranquilizar os investidores. O BCP tem de pagar ao Estado até 2017.

O rácio de solvabilidade, depois do reforço através da conversação de obrigações, ficou nos 10,7%. A cotação tem registado mínimos sucessivos e a capitalização está pela primeira vez, desde o aumento de capital, abaixo da referência dos 3 mil milhões de euros. A atual cotação reflete uma perda de 22% face ao preço da colocação para acionistas de 2014 (6,5 cêntimos). e traduz uma acentuada desvalorização nos últimos dois meses. No fim do primeiro semestre o ganho anual era de 18%, agora a perda acumulada face à primeira sessão do ano supera os 20%.

A ameaça polaca

De que sofre o BCP? Na Polónia, com eleições este mês, são duas as ameaças. O partido que lidera as sondagens defende a aplicação de um novo imposto de 0,2% sobre os ativos da banca (o que dá 35 milhões por ano). Além disso, permanece viva a ideia transferir para a banca os prejuízos dos clientes que contraíram créditos hipotecários em francos suiços. O impacto depende que percentagem que seja atribuída ao seu braço polaco, mas será sempre elevada.

No plano interno, é o custo do Novo Banco. O mercado interiorizou que se for vendido, o Novo Banco induzirá uma prejuízo muito pesado para o sistema bancário. E como o BCP tem quase 20% do Fundo de Resolução por cada mil milhões de perda, o BCP suporta 200 milhões. O mais provável é que fatura final duplique estes valores.

Por outro lado, há dúvidas sobre a contabilização dos famosos DTA (Impostos diferidos que podem ser transformados em créditos fiscais em caso de lucros futuros). O BCP é, em todo o sistema, o banco que mais beneficia deste regime

Tudo somado, os analistas admite, como provável o cenário de aumento de capital.